Ainda me lembro do dia em que fui morar fora para iniciar a faculdade, uma sensação maravilhosa de liberdade, de cuidar de mim mesma, de me organizar com minha vida. Sem dúvida foi a melhor opção que fiz. Tomar conta de si mesmo também é uma grande responsabilidade se pensarmos no bem-estar, pois precisamos comer com qualidade, pagar as contas para mantermos a saúde mental em dia, além da organização de todo o sistema que contribui diretamente para ficarmos saudáveis.

E para minha surpresa algumas semanas atrás recebi um livro chamado “Morando sozinha”, de Fran Guarnieri, e fiquei pensando qual seria a minha motivação em ler o livro, afinal muitos anos depois casei, tive filhos e essa realidade de ter a casa só para mim ficou muito distante. Porém, neste sábado, dia cinzento e frio em Curitiba, com vários livros para ler, e outros para terminar, bati o olho no livro e pensei, vou dar uma olhadinha.

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Foi superinteressante pois devorei o livro no mesmo dia, surpresa em como uma garota tão jovem teve uma sacada tão bacana, pois morar só somente pelo desejo de ficar perto da faculdade, ter seu próprio espaço, além de buscar qualidade de vida nessa idade é algo realmente surpreendente.

Viajei pelas páginas do livro rindo de passagens em que me identifiquei, de histórias interessantes da época em que dividi apartamento, das amizades maravilhosas que conservo dessa época e das que se perderam no tempo e fico feliz por não mais esbarrar nelas. Claro que, além das festas que curtimos juntas, existiram as dores que precisamos dar colo, as brigas pelas situações em que uma deixava sua tarefa de casa sem fazer, ou mesmo porque não comunicava a visita de algum namorado e era pega de surpresa. Mas toda essa experiência valeu muito a pena, é uma época que teve um saldo muito positivo, não mudaria nada se pudesse voltar atrás.

Como a autora do livro mesmo comenta, nessas alegrias e dificuldades é que aprendemos a conviver, a desenvolver a tolerância, a ajudar ao outro na época de fossa, além de dividir tarefas e responsabilidades.

Mas o que mais me surpreendeu é como a Fran conseguiu montar um planejamento para a escolha do imóvel, organizar a mudança, planilhas de orçamentos, tarefas domésticas e até um plano alimentar, já que cozinhar só para si mesma dá uma preguiça tremenda, pelo menos é o que mais ouço em meu consultório.

E no final da leitura posso dizer que adorei, pois confesso que aprendi muitas coisas, apesar de ter o dobro da idade dela e já ter vivido muitas experiências diferentes, sempre estamos aprendendo, e com a ajudinha dela com certeza poderei dar uma mexidinha em algumas coisas de minha rotina, lembrando que a idade não traduz maturidade e sempre devemos dar espaço aos que são mais jovens de se manifestarem, de mostrarem suas habilidades.