ortorexia-vigorexia

Não faltam comentários e críticas a respeito da fala de Rita Lobo essa semana. Eu não vou entrar nesse assunto, até porque confesso que me incomoda muito. Isso aí, psicólogo também se incomoda, ainda mais quando se trata de um assunto do qual deveria ser direcionado ao bem-estar, porém não é isso que vemos nas mídias sociais e nos consultórios em que se atendem transtornos alimentares.

Qual o limite entre saudável e o patológico? Tudo que se torna excessivo e um estilo de vida inflexível se torna problemático. É preciso compreender a diferença entre esses dois aspectos, pois há muita gente misturando alhos com bugalhos.

Então, eu cuido de minha alimentação e busco sempre comer o melhor possível, mas há pouco tomei um sorvete de flocos delicioso. Isso mesmo. Trabalho com obesidade e sou uma pessoa saudável sim, porém sinto prazer em comer o que gosto, isso não quer dizer que cometa excessos que são considerados tralhas alimentares, mas por que não consumir algo que gosto.

Você pode pensar que isso não é possível, ainda mais se estiver no grupo daqueles que conseguiram entrar em uma rigidez alimentar da qual se mata por dentro, mas não come um bombom de chocolate. Por favor, sabemos que isso não é verdade, a grande maioria se acaba com uma caixa de bombom quando está sozinho dentro de quatro paredes ou mesmo no carro na volta do trabalho, mas sai pregando que não sai da linha nunca.

Minha opinião é muito clara, desde que nascemos somos contemplados com o leite da mãe, a comida sempre terá um papel de conforto, de prazer, por isso não acredite que possa eliminar isso de sua vida.

Porém, você pode tentar me convencer que ama comida supersaudável, eu posso até te dar um crédito, mas espero não te encontrar em casa em um dia de festa, porque não quer levar sua marmitinha, ou mesmo ficar sabendo que não foi ao almoço de domingo na casa dos pais, porque lá não tem sua comida adequada para o seu consumo. A rigidez em relação ao que se consome acaba trazendo várias consequências à vida das pessoas, inclusive não saber como se comportar quando não se está em um local onde não há as comidas ditas saudáveis, podendo até entrar em pânico.

Não, meus queridos, não estou exagerando, ouço relatos como estes semanalmente em meu consultório e posso afirmar que sou muito mais feliz do que você comendo meu sorvete de flocos. Olhe, estava uma delícia! E não vou correr para a esteira para queimar as calorias que generosamente coloquei boca adentro.

Vamos parar de ler as notícias e mesmo os comentários de nossa colega Rita Lobo somente olhando por um viés, pois é isso que está acontecendo nesse momento, não só em relação à alimentação, mas com muitas matérias que são postadas diariamente. Uma questão séria de comunicação, a pessoa se apega ao que acredita e pronto, não analisa o contexto geral e avaliar o que o outro quer realmente dizer.

Devemos cuidar da saúde, comer com qualidade e tentar sempre aprender mais, mas lembrando que o equilíbrio ainda é a chave do sucesso, tanto mental, como físico.

Salvar

Salvar