Vamos seguindo a vida e em um determinado momento algo explode dentro de nós, o corpo finalmente grita por socorro. O que será que aconteceu? De onde surgiu a depressão, o pânico e o medo de morrer?

A princípio nem sempre conseguimos linkar a uma situação do passado, olhamos o sintoma sempre como causa primária, ignorando os inúmeros sinais de que algo não estava bem dentro de nós mesmos. Algo incomoda, as dores emocionais  estão borbulhando e causando um estrondo dentro da nossa cabeça, mas a maioria das pessoas optam silenciar, tomar uma cerveja, trabalhar muito, comer demais e pronto.

Em um primeiro momento tudo se resolve, acordamos no dia seguinte e quando o incômodo surge novamente, basta buscar de novo um recurso que tenha um efeito analgésico e pronto, resolvido. E assim vamos fazendo de conta que tudo está bem, vamos utilizando essas estratégias até que tudo explode.

De repente, aparentemente do nada, ficamos muito tristes, sentimos um medo repentino, um sentimento de pânico surge. Fomos mantendo aprisionado dentro de nós sentimentos que nos corroem aos poucos, que estão mal elaborados. A dor fica ali, muitas vezes anestesiada, mas de repente volta a inflamar.

É importante entender que toda dor, toda tristeza e traumas do passado devem ser vistas e acolhidas com muito carinho. Temos a tendência a ignorá-las pois ninguém gosta de sofrer, afinal já enfrentamos tantos desafios, por que olhar para o que está aparentemente quieto no nosso passado?

Aí que está a questão, o que causa desconforto deve ser acolhido e perdoado, só assim conseguimos ser livres para seguir a vida de forma mais fluida. Nossa percepção muda em relação a tudo que nos rodeia quando conseguimos elaborar o que nos incomoda. Quando estamos presos à dor, agimos e lemos o mundo de uma maneira que nem sempre é tão verdadeira.

Muitas vezes nem temos algo específico para perdoar, nenhum trauma aparente, mas pequenas situações que se acumulam diariamente. Vamos engolindo sapos, não conseguimos nos colocar com clareza, outras vezes trabalhamos muito, ficamos estressados e uma última gotinha que faltava para fazer o copo transbordar, cai.

Cada pessoa tem a sua rotina de vida e sua história, o importante é entender o que está por trás do sintoma e buscar ajuda, caso seja necessário para evitar novas crises. Mudar o comportamento, a forma de interagir com as pessoas e situações que nos rodeiam.

Afinal, todos nós merecemos ter qualidade de vida, então o que acha de parar para olhar com carinho para você mesmo?