MÂES-TOXICAS-2

Parece que a história se repete. Você casou, mudou-se para longe e ainda assim cada vez que se encontra com os seus pais, eles não perdem a chance de fazer algum comentário que te desqualifique. Óbvio que não adianta reclamar, esse comportamento tóxico é um hábito há muito tempo instalado, que talvez já tenha sido herdado dos seus avós e seus pais o repetiram. Mas afinal, você precisa tolerar isso por amor?

Uma hora é porque engordou, outra é que deveria ter feito a comida de outro jeito, porque não foi ao tal médico e assim vai, nunca o que faz está bom o suficiente, restando apenas a sensação de impotência e de menos valia.

Quanto mais você tenta evitar se relacionar com pessoas assim, mais você parece que atrai, e quando se dá conta até sua funcionária está fazendo comentários provocativos e que te desqualificam quanto autoridade e/ou capacidade. E tudo recomeça. Então, parece que fugir das pessoas ou de seus pais não é o caminho correto, pois de alguma forma você permite passar por situações semelhantes em suas relações.

A questão é que você cresceu e foi condicionado a um tipo de modelo de relacionamento em que ser maltratado, ter seus comportamentos criticados e seus sentimentos colocados em constante dúvida, fizeram com que esse ambiente, por mais que machuque, seja também confortável, pois reproduz situações das quais bem ou mal já está acostumado a lidar. É o que conhece, cresceu em um ambiente tóxico.

Quando passamos por situações de humilhações, de tristeza e insegurança, isso nos faz desejar uma vida diferente, queremos conviver com pessoas que nos respeitem, que enxerguem nossas qualidades e reforcem a autoestima. Mas é incrível que quando temos pessoas que agem dessa forma, de algum jeito damos conta de nos afastar e cortar relações. Como se não fosse possível dar conta de conviver em um ambiente diferente do que foi criado, sendo difícil lidar com o sentimento de valorização e felicidade. Parece loucura isso né, mas pare para pensar e perceba como isso acontece ou se repete em sua vida.

Condicionamo-nos a viver de uma forma, repetindo os mesmos comportamentos, porém podemos mudar essa reprodução a partir do momento em que nos conscientizamos desse padrão, buscando maneiras de libertar-se. A escolha de ser feliz é algo pessoal e que exige coragem, pois além de nos diferenciar da família quando mudamos de comportamento, quebramos padrões rígidos que estão introjetados em nós, mexendo e colocando em xeque crenças que até então estavam bem enraizadas em nosso inconsciente.

Não é um caminho fácil, mas é possível, por isso não perca o desejo de ser feliz e sentir-se bem consigo mesmo, mesmo que para isso precise passar por uma série de mudanças e reformular seus ideais.