Existem momentos da vida em que desejamos compartilhar os temores existentes e esperamos que as mesmas sejam ouvidas e acolhidas através de um lugar de amor, de respeito, mas nem sempre é assim que acontece. Aliás é bem comum sermos mais julgados do que acolhidos, talvez a escuta seja silenciosa, o outro não conteste, mas no íntimo está remoendo os seus pensamentos em relação ao que disse.

Sabemos que não é fácil esse processo, fomos aos poucos criando crenças sobre vários aspectos da vida que estão embutidos dentro de nós, verdades que defendemos a unhas e dentes. Precisamos ter esses conceitos estabelecidos por sermos serem pensantes, fomos adquirindo uma bagagem e dentro da mesma, comportamentos foram adquiridos, mesmo que os mesmos não sejam os mais adequados.

No entanto, quando falamos em julgamento a questão se complica, pois existem até passagens bíblicas abordando esse assunto e acredito que todos nós, em maior ou menor grau enfrentamos a dificuldade em não julgar algo ou alguém. Os pensamentos invadem a nossa mente e sem querer já traçamos uma ideia e, frequentemente, já queremos dar a nossa opinião sobre o assunto, baseados nas nossas próprias crenças e experiências.

A dor se amplia quando a pessoa da qual abrimos o coração não respeitou o que ouviu e passou pedaços do relato para terceiros, e até mesmo utiliza o que escutou para justificar seus próprios comportamentos se autopromovendo. Um círculo de desrespeito se inicia, a quebra da confiança, o medo de abrir o coração novamente e se machucar mais uma vez.

Por isso o psicólogo é treinado exaustivamente, para que possa ouvir uma pessoa de outro lugar que não é o do julgamento, e sim acolhendo com a escuta afetiva, aceitando os fatos como são. O cuidado com o que recebemos é muito grande, valorizamos cada palavra, cada sentimento que chega através do outro, o respeito está acima de qualquer crença ou visão pessoal que temos.

Quando sentimos que encontramos um lugar confortável para expor as nossas dores damos passagem para a cura, conseguimos compreender nossos sentimento, nossos comportamentos e atitudes defensivas.