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Está sendo muito bacana a forma que a novela “Sete Vidas” vem mostrando a trajetória da personagem Elisa, uma moça que nunca havia sonhado em ser modelo e de repente se vê fotografando e fazendo sucesso. Todo o trabalho, a produção e os resultados vão seduzindo a recém modelo que acaba se entregando à profissão, porém após um tempo ela começa a ser cobrada para perder mais peso, caso contrário perderá vários trabalhos. Mas encurtando a história, logo começaram as dificuldades em não comer, tonturas até que  entra a medicação que a fazendo perder o desejo de comer.

A novela mostra como é a realidade das modelos, mulheres seduzidas pela chance de ficarem conhecidas, ter uma carreira consagrada, mas que precisam ser  secas para que se torne viável o sonho. A cena em que ela cede e toma um sorvete é linda, porque  deixa claro a alegria em poder comer algo que se gosta,  porém por outro lado mostra a dor da privação, da agressão ao próprio corpo. Faz sentido?

Nos últimos anos várias marcas de produtos e revistas fizeram tentativas para mudar essa realidade, mostraram modelos com corpos dentro do que é normal, porém provocou pouco impacto, nada que conseguisse mudar a realidade do corpo magro. No Brasil essa cultura é muito forte atingindo crianças, adolescentes e mulheres na idade adulta, poucos são os que não se incomodam com uma gordurinha extra, que conseguem se aceitar como são sem o pânico de engordarem umas poucas gramas.

No consultório já não me assombro mais quando recebo mulheres lindas que se acham feias, se tornou uma realidade frequente, mas me preocupo em ver relacionamentos destruídos porque não se sentem bem nem para tirarem a roupa para os maridos e namorados. Estou falando de corpos normais, com curvas lindas, mulheres reais.

O limite entre o que é normal versus patológico é muito sutil, saem do jejum, vão para a medicação e logo estão vomitando, não podem ganhar peso, a realidade é que perdem a saúde, física e emocional.

O alerta serve para todos, chama a atenção e fica como alerta porque seu filho pode ser o próximo, as propagandas estão em revistas, sites, lojas, não faltam incentivos para tentar uma dieta maluca, um novo remédio milagroso, e assim vai aumentando a estatística dos transtornos alimentares, como anorexia, bulimia e compulsões.

Fica um alerta, cuidem do que comentam, algo simples como odeio estar gorda pode provocar uma avalanche de emoções dentro da cabeça de uma filha pequena, a mesma pode criar um verdadeiro horror à obesidade e antes mesmo de correr o risco de engordar, ela pode se entregar a comportamentos que desencadeiem uma doença.