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Desde que tomamos a decisão de ter um filho a dor começa a marcar presença, de uma forma ou de outra, mesmo com tantas expectativas o medo se torna nosso parceiro diário.

Primeiro se está correndo bem a gravidez, o medo de algo errado acontecer, se o filho nascerá bem. São tantos os conflitos que não dá para imaginar que toda a gravidez é cor de rosa. Lembro-me de quando estava esperando o primeiro filho e liguei para minha ex-terapeuta contando a novidade, ela já me alertou para colocar os pés no chão, afinal seriam noites sem dormir, criança chorando, eu e o pai sem saber muito bem o que fazer e assim começaria uma nova jornada a três.

E mesmo com um parceiro calmo nesse novo caminho, como eu também sou, a angústia, a dor e o medo marcam presença. Com quem vou deixar, que escola vou escolher, se vão cuidar bem, e assim, inúmeras situações vão acontecendo e nós pais vamos nos adaptando e experimentando essa nova fase de vida permeada de novidades e descobertas.

Aí nosso filho vem da escola com uma mordida imensa na bochecha, vêm as febres que nos tiram várias noites de sono e que ficamos apreensivos. Assim vai correndo o tempo e aos poucos achamos que ficará cada dia mais tranquilo.

Mas essa tranquilidade claro que dura pouco, lembramos lá de trás quando tomamos a decisão de aumentar a família e percebemos que romantizamos demais.

Chegou a adolescência!

Uma nova fase, para alguns pais mais tranquila e para outros um momento de confronto, não somente com o novo ser que vai mudando a forma de ser e agir, mas também em relação ao que acreditamos ser o melhor para ele e nem sempre é. Os valores passados são confrontados, eles percebem e vivem com outros referenciais de vida, convivem com a família de amigos, se identificam com os grupos que estão inseridos.

E a sexualidade? Apesar de ser um momento natural como lidar com os impulsos que começam a apresentar? Será que sempre conseguirão seguir os conselhos em que são orientados?

Chega o momento da escolha da profissão ainda que não estejam certos de qual caminho seria o ideal, a pressão de alguns pais que não entendem que tem em casa ainda uma criança crescida, vira um imenso buraco na cabeça desses pequenos adultos. Medo de crescer, de voar, de assumir responsabilidades, de lidar com a sexualidade, primeiro beijo, primeira transa.

E aí nem vou me estender mais, pois os resultados são diversos, crescem e vão trabalhar fora (ou não, caso tenha criado um folgado), escolhem um parceiro de vida, muitas vezes bacana, outras vezes prevemos um desastre.

A questão é somente uma: precisamos estar muito conscientes de nossas escolhas, filho não é boneco para brincarmos de sermos pais, eles exigem muito de nós, é preciso muito amor, muita calma, muita responsabilidade e muita presença.

Não dá para fazer de conta, é preciso assumir que a partir que saem da barriga é nosso para sempre, as preocupações, a assistência e o colo devem estar disponíveis, sem data de validade.

O que posso dizer da minha experiência até o momento? Maravilhosa, com todos os medos, com a primeira mordida que chegou da escola, com braços e pés quebrados, com cirurgias necessárias, podemos dar conta, desde que saibamos identificar se estamos mesmo preparados para essa grande missão de sermos pais no sentido exato da palavra, junto com todas as situações que a partir de então surgirão.

E você, acha mesmo que pode dar conta?