Quem não se pegou prestando atenção em detalhes do próprio rosto durante uma reunião no Zoom levante a mão. A verdade é que ficamos limitados ao espaço de nossas casas e fomos forçados a nos olhar nas telas dos computadores e celulares todos os dias nesses dois anos de pandemia. Ficamos mais ansiosos, alguns com crises de pânico, depressão, pois fomos pegos de surpresa diante da nova realidade e não dispúnhamos de instrumentos internos para lidar com o momento que se apresentava.

Os casos de transtornos alimentares entre jovens também aumentaram, e como na maioria das vezes o acesso às mídias sociais foram relaxados, passaram a visualizar muitos conteúdos como fotos, vídeos, com performances e efeitos cada vez mais elaborados. Os excessos de filtros escondem as imperfeições, somos iludidos com imagens falsas, mostrando peles e corpos perfeitos, aumentando ainda mais a nossa insatisfação.

Dentro dessa nova modalidade de vida como não se contaminar e deslumbrar com tantas opções e distrações? O desejo de encontrar um pouco de alegria e esquecer a ameaça de morte do vírus do Covid faz com que a internet funcione como um kit de sobrevivência, um lugar de descanso e fuga.

Desta forma os artifícios das mídias servem como distração do mundo real, vamos mergulhando em um mundo de fantasia para nos esquecermos da dor e do medo. Nesse processo que parece perfeito a princípio pode ser uma grande armadilha para muitos de nós, principalmente se estivermos mais vulneráveis como, por exemplo, com a aparência física.

O fato é que o número de pessoas insatisfeitas cresceu muito, de acordo com a Sociedade Americana de Cirurgiões Plásticos (American Society of Plastic Surgeons), 55% dos cirurgiões plásticos em todo o país relataram que as injeções de Botox foram o tratamento mais procurado durante a permanência em casa, seguido por 40% que relataram que o aumento dos seios foi a solicitação mais frequente. O efeito Zoom promoveu muito impacto na forma com que nos enxergamos, pois é impossível não se pegar olhando para a própria imagem e identificando qual o melhor ângulo do rosto em uma reunião, em uma foto ou vídeo.

A verdade é que vamos colher os impactos desse momento que estamos vivendo ao longo dos anos, porém é importante é estarmos atentos a essa nova pandemia da beleza. O que vemos nas redes sociais é somente uma vitrine, na maioria das vezes não temos acesso a todas as complicações que esses procedimentos acarretam. Com o excesso de blogueiras e influencers divulgando métodos de beleza, o perigo aumenta, pois essas postagens chegam para nós de forma inadequada, passando uma mensagem livre de riscos. Outra questão que é omitida é como realmente se sentem, pois não mostram para o público as suas dores, medos e inseguranças, e esses aspectos não são resolvidos por intervenções estéticas, mas somente quando devidamente trabalhadas e integradas dentro de nós.

Por isso antes de sair fazendo uma cirurgia ou procedimento estético é importante pesquisar, avaliar todo o contexto e principalmente compreender se o que está vendo no espelho realmente precisa de intervenção, ou se o seu desejo está sendo guiado por padrões irreais na tentativa de camuflar as suas reais inseguranças.

 

 

 

 

 

 

 

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