Algumas passagens da nossa vida deveriam ser olhadas com muita atenção, porém muitas pessoas não estão dispostas a mergulhar fundo nessa exploração, pois não querem voltar às lembranças da época de infância. Olhar para as experiências do passado nem sempre é uma tarefa agradável, visto que normalmente quem chega para terapia já traz na bagagem muitas experiências de dor que os impactaram negativamente.

Eu entendo que muitas vezes dói lembrar dos fatos que nos machucaram, na maioria das vezes escuto histórias que envolvem agressões físicas e verbais, acontecimentos que não temos como mudar, pois os fatos já aconteceram. Porém, há muito a ser feito, ao voltarmos no passado é possível ressignificar as memórias dolorosas, e ainda ajudar o paciente a lidar de forma assertiva com os impactos negativos na vida adulta.

Infelizmente nem sempre queremos voltar a acessar essas lembranças, queremos algo prático que nos ajude a seguir em frente, por isso o trabalho também visa a ajudar o paciente a viver no momento presente. Mas é importante ficar claro que todas as situações que envolvem emoções fortes ficam gravadas e mesmo quando achamos que não nos impactam mais, nos enganamos.

Assimilamos frases que nos são ditas desde pequenos e que irá determinar muito de nosso futuro, vejam alguns exemplos:

– Você sempre faz tudo errado;

– O filho da fulana que é bom;

– Tudo que você pega na mão quebra;

– Você é chato e nunca terá amigos;

– Você é magrelo, ninguém vai querer te namorar;

– Assim você nunca irá vencer na vida;

– Foi sua culpa, você nunca faz nada certo;

– Mulher tem que falar baixo e nunca responder.

Quando adultos, carregamos frases como essas em nossas mentes e de tanto que foram repetidas acabamos acreditando. Podemos até não ter muita consciência, mas o fato é que iremos sentir a mesma emoção negativa cada vez que alguém ou uma situação o fizer sentir a mesma dor de quando éramos crianças. Nós somos menos potentes, sem forças, sem coragem de enfrentar desafios, de falar em público, de participar de festas da empresa ou reunião de amigos. Cada pessoa assimila essas situações de formas diferentes, até membros da mesma família, mas a qualquer pedra no sapato, a dor reacende.

É imprescindível que você possa abrir espaço na sua vida para trabalhar essas dores, pois, mesmo que você não sinta que essas experiências te impactam, lembrem-se de que a criança não pensava da forma racional como você pensa hoje, ela não tinha os mesmos recursos. O impacto foi mais forte na infância e na maioria das vezes não lembramos, permanecendo no inconsciente para nos proteger.

Lembrando que a terapia é uma forma de buscar auxílio para minimizar essas dores, e após ressignificar memórias, dores e experiências, você poderá seguir com mais confiança em si mesmo reconhecendo suas reais potencialidades.