Quando estamos imersos em nossas dores passamos por diversos desafios, são dias sombrios em que não temos energia para realizar as atividades que antes eram desenvolvidas com prazer. Sabemos a importância de levantarmos todos os dias, de tomarmos um banho, de prepararmos o café da manhã, mas a coragem não se faz presente, e assim vamos deixando de realizar pequenas tarefas que são importantes para a manutenção do nosso bem-estar.

Quem nos olha de fora não consegue alcançar com a mente como é esse processo, não tem ideia do quanto o buraco da depressão é fundo, sombrio e assustador. Falar sobre o assunto é muito mais fácil do que viver a experiência, e quanto mais nós precisamos de acolhimento e aconchego, mais recebemos receitas prontas de como devemos agir ou pensar para sairmos da dor.

O fato é que são muitos os gatilhos que podem disparar a depressão e os fatores emocionais são sem dúvida os que mais nos levam a mergulhar na sombra, mexendo justamente com partes nossas das quais gostaríamos de deixar dentro de uma gavetinha, trancada e esquecida em algum lugar da nossa mente.

Seguimos a vida tentando a todo custo esquecer o que incomoda, ignoramos diversos sinais de fumaça que indica que algo não está bem e de repente algo estoura. A dor transborda e toma conta de cada pedacinho do nosso ser, nos deparamos com a impotência, a falta de energia e desespero, afinal como arrumar toda a bagunça interna que há anos vem ignorando?

Vamos ter que encarar a verdade, cada um em seu próprio tempo irá olhar com carinho para a ferida que carrega dentro do peito, muitas vezes está há tanto tempo esquecida na gavetinha que não nos lembramos do que se trata, se tornou inconsciente, pois quem sabe na época não tínhamos uma percepção afinada para entender a complexidade da questão. Outras vezes os gatilhos da depressão são pontuais, como, por exemplo, a pandemia e seus desdobramentos, um momento real em que não conseguimos controlar nada, em que estamos à mercê de algo que não enxergamos, mas que está por aí circulando e interferindo em nossas vidas.

Na verdade, ter controle é um produto da mente, sentimos necessidade de nos sentirmos no domínio do que está à nossa volta, sendo assim criamos uma falsa sensação que nos traz conforto, mas é um produto do imaginário, até para que possamos viver a cada dia de forma mais tranquila. E quando de fato enxergamos a realidade, é possível que percamos o equilíbrio emocional, e passamos a sentir as dores que corroem a alma.

Quando reconhecemos que de fato precisamos de alguém que nos ajude, fica mais fácil e leve seguirmos em frente, pois um profissional especializado poderá conduzir você nesse caminho. As dores da alma são invisíveis, não há nada que cure que seja externo a você, é preciso abrir as gavetinhas da vida e olhar para tudo o que foi acumulando lá dentro, tudo o que precisa ser limpo e organizado, e saiba que somente você poderá fazer essa faxina.