Há pouco tempo eu estava em minha manicure engatada em uma boa conversa, estávamos animadas contando amenidades que ocorreram durante a semana. Chega uma cliente e dispara a reclamar, o clima foi pesando, eu bocejando a ponto de nem conseguir manter os olhos abertos. Caiu a energia.

Infelizmente acabamos esbarrando com pessoas negativas que não dão trégua para a felicidade, se alimentam continuadamente do estresse, das dificuldades, das más lembranças, do falar do outro. Os defeitos, os erros estão sempre fora, como se quisessem se livrar do mal que as toma, jogando sua toxicidade para fora. Sugadores da energia alheia, vão espalhando o mal-estar por onde passam.

Muitas vezes estamos perto e convivendo com o indivíduo tóxico, pode estar até mesmo dentro de nossa casa. Como lidar com essa situação? Como não se deixar afetar com a negatividade do outro? Primeiro é importante ficar claro que essas pessoas também foram expostas a esse comportamento tóxico, apenas reproduzem um comportamento aprendido e muitas vezes não percebem o quanto afastam as pessoas de si mesmo. Porém, cabe a cada um se auto-observar e buscar mudar o que não está fluindo em sua vida, pois mudar é uma responsabilidade que só cabe a nós mesmos.

Mas como nos proteger? Aprendendo a colocar limites.

1 – Quando estamos convivendo no trabalho a situação pode ser um pouco mais complexa. Muitas vezes pode ser o seu patrão, ou um colega que compartilha o mesmo espaço com você que reclama o tempo todo. Cada um terá que avaliar qual o limite que julga ser necessário para se proteger emocionalmente. É importante que não dê brecha para o outro reclamar e jogar toda a frustração em você, afinal você não é uma privada, concorda?

2 – Se a situação ocorre dentro de casa imagino que esteja cansado e comece a se afastar, estou certa? Você deve se colocar, sempre com clareza e calma, afinal a ideia não é agredir o outro. Pode começar dizendo que se sente mal de ouvir tantas queixas negativas, que seria importante que procurasse um psicólogo para poder reavaliar a vida e mudar o que está levando a tantas frustrações. É claro que será muito difícil que isso se resolva tranquilamente e tudo continue igual, aí se for para preservar a sua saúde mental, talvez tenha que diminuir o tempo de convívio.

3 – Muitas vezes o seu parceiro também manifesta esses comportamentos negativos e cabe a você avaliar se há um caminho para mostrar a ele que a vida é muito bonita, e que temos milhares de situações cotidianas a agradecer. Quando mudamos o nosso discurso e não entramos na frequência do outro, iniciamos um processo de mudança no ambiente, atingindo a todos ao nosso redor. Você fará a sua parte, se não mudar e você continuar sentindo-se mal, aí a conversa precisa ser bem clara e direta.

4 – Pessoas que querem controlar tudo o que fazemos com o pretexto que se preocupam com a gente também é muito tóxico, pois existe um limite entre o que é um cuidado, um carinho e o que é invasivo. O que é invasivo envolve julgamento do que é certo ou errado, como se você precisasse passar pelo crivo do que o outro entende como verdade. Não respeita suas decisões, busca sempre achar um furo, um descuido seu para sutilmente mostrar que ele sim é melhor, ou mais sensato. Aqui cabe a você se proteger, não expondo a sua vida. Não permita que o outro desvalorize quem você é.

Agora, se você fizer a sua parte e nada funcionar, talvez a mudança tenha que partir de você, mesmo que te leve a assumir um novo emprego, uma mudança de casa, um novo parceiro. Afinal todos nós temos o direito de viver levemente, de sorrir, de dar gargalhadas, de conviver em harmonia.