Somos alimentados no momento em que nascemos e seguimos a vida necessitando de alimentos para viver. A comida tem a função de nutrir o nosso corpo e fornecer tudo o que precisamos para dar continuidade à vida.

Estamos em um país em que a diversidade de alimentos é incrível, temos a oportunidade de experimentar os mais variados sabores e texturas. Isso estimula muito o desejo de comer e ainda contamos com ervas que dão um sabor especial aos pratos.

Vamos crescendo e cada pessoa dentro do seu contexto familiar vai desenvolvendo uma relação com a comida. Para alguns o almoço em família era sinônimo de felicidade e união, para outros um momento de estresse e brigas, tem aqueles que passaram fome, outros que eram forçados a comer, senão apanhavam. Eu poderia citar muitos exemplos, a questão é que o significado que a comida tem para cada pessoa é muito pessoal, e a partir dessas experiências percebemos a relação com a obesidade e os transtornos alimentares.

Desenvolvemos percepções a respeito das relações, do amor, dos valores, dos sentimentos e a partir desse movimento vamos desenvolvendo um jeitão de ser. Isso envolve a nossa personalidade, nossos pensamentos e comportamentos. Um complexo conjunto de experiências que irão determinar muito de nossa vida.

Desta forma, algumas pessoas irão buscar fora o que não conseguiram achar dentro, sendo a comida uma saída aparentemente eficaz contra a dor. O alimento como forma de um amortecedor para o que causa tristeza, raiva, insatisfação, ansiedade, medo, irritação, etc.

Para os que desenvolvem uma relação com a comida que passa os limites do que seria saudável, começam a sentir no corpo e na saúde o quanto está disfuncional a relação comer versus bem-estar. Mas nem sempre a dor de ganhar peso é suficiente para que olhem para si mesmos e busquem ajuda. Não estou falando de dietas, chás, medicações, pois todos esses caminhos acabam sendo temporários, caso não se trabalhe o emocional. É preciso começar a olhar para as suas dores e encarar o que te fez caminhar em direção ao abuso alimentar. E mais importante ainda é entender que esse comportamento é na verdade uma agressão, uma reedição de situações que trouxeram mágoas e dor.

Nada disso cessará comendo, a dor só amenizará tratando os ferimentos, aquilo que lá atrás magoou muito. Quando conseguimos verbalizar, falar sobre as experiências que podem estar relacionadas com suas dificuldades atuais, se abre o caminho para a cura. Entendo que algumas pessoas não querem e não gostam de falar de si mesmas e não têm paciência para entrar em um processo terapêutico, pois querem mudanças rápidas e na verdade mudar envolve tempo, comprometimento e disponibilidade de reviver a vida como um todo.

Escolher ser feliz e resolver o que traz incômodo é um caminho que exige tempo, e é preciso abrir mão da muleta que a comida representa. Parece bem fácil, mas não é. Entendo o quanto é difícil largar algo que é tão prazeroso. Então só lhe chamo a atenção para o fato de que se continuar comendo compulsivamente, irá aos poucos destruindo a si mesmo.

O que irá escolher?