Desconstruir conceitos pode ser muito interessante, estamos acostumados a seguir linhas de raciocínio amplamente aceitas como verdades e não paramos para questionar mais profundamente. Focamos somente no que a ciência diz, e a verdade é que quando se trata do tema obesidade, temos poucos recursos para combatê-la.

Existem algumas medicações, tratamentos e cirurgias, mas no geral o que constatamos é um processo de reganho de peso, o retorno da insatisfação e consequentemente a sensação de impotência. A verdade é que a obesidade, apesar de ser amplamente debatida, ainda é uma doença que envolve muitos aspectos de ordem emocional, sendo necessário um investimento da parte do paciente em se dispor a olhar o que está disfuncional em sua vida.

Não falta demanda no consultório de pessoas que buscam solucionar esse problema, mas essa busca na maioria das vezes é por algo mágico, uma técnica, uma orientação para que possam emagrecer sem fazer um esforço maior. É compreensível, pois estão exaustos, não aguentam mais carregar o peso de seus corpos e a discriminação a que estão expostos.

Não posso me queixar de meu corpo, mas já passei pelo desafio de aprender a comer com parcimônia, de controlar os momentos em que queria comer uma barra inteira de chocolate, mas fui construindo uma nova forma de me relacionar com a comida que me permite sentir prazer, e ao mesmo tempo, ter qualidade no que consumo. Um processo que exige muito a saída do querer para o fazer, muitos tropeços, mas que é possível.

Só que nesse caminho de perda de peso e mudança da alimentação tem muitos fatores emocionais escusos que impedem de uma pessoa de conseguir manter o propósito de mudar sua conduta alimentar, aí entra a famosa autossabotagem. Calma, esse processo não ocorre assim de forma tão simples, na maioria das vezes existem fortes vivências anteriores na vida dessas pessoas que levaram as mesmas a buscarem na comida uma forma de sentirem conforto, segurança, amenizar a tristeza, o cansaço e até se proteger do outro, da entrega e da sexualidade.

Somente quando estão realmente cansados de lutar contra essa doença é que finalmente ocorre a oportunidade de mudar , pois nesse ponto o paciente entrega as armas e decide que precisa olhar para a sua vida e entender o que é que ocorre dentro de si para precisar se empanturrar com a comida.

Muitos podem pensar nesse momento então que emagrecer pode ser um processo simples, mas eu digo a verdade, não é não. Porém, se ao invés de acumular anos tentando todos os tipos de dietas e medicações, você se dispuser a se olhar verdadeiramente, o caminho seria bem mais curto.

O comer excessivo pode ser uma excelente distração como diz o título do texto, pois ao se mover em direção à comida você deixa de se aprofundar e resolver o que verdadeiramente te faz mal. É mais fácil chegar em casa e buscar a satisfação imediata na comida, do que ir à academia. É muito mais prazeroso comer uma barra de chocolate ou um hambúrguer do que confrontar o chefe, um colega de trabalho, seu parceiro ou mesmo resolver uma pendência de família que exige paciência e muita cautela.

Olhar para o passado e identificar quando foi que iniciou o ganho de peso e entender qual é a função da gordura em seu corpo hoje, ela te protege do quê? Ou mesmo para quem começou a ganhar peso após o início da vida adulta, o que está por trás dessa camada de gordura?

Ao parar de usar a comida como distração e se dispor a encarar o que o ganho de peso quer tanto revelar, o paciente começa a tomar as rédeas de sua vida, parte em busca de mudanças, muda comportamento, acerta pendências que impedem de viver com leveza e tranquilidade.

E acreditem, durante esse trabalho muitos pacientes conseguem identificar os motivos que os levaram ao ganho de peso e que impedem de aderirem a uma alimentação equilibrada, e ainda assim podem escolher se querem seguir comendo ou se querem realmente dar a volta por cima e mudar o contexto de vida que se encontram.

O que é importante ficar claro, é que a grande maioria de pessoas que está acima do peso pode sim emagrecer sem técnicas invasivas, mudando comportamentos corriqueiros e situações que trazem dor e incômodo que refletem diretamente na forma de se alimentarem, que é a válvula de escape, assim como outras pessoas escolhem o cigarro, o álcool, drogas ilícitas, sexo, compras, internet, jogos, etc.

Pare de se distrair buscando fora uma saída para os seus problemas, você tem todos os instrumentos necessários para deixar de comer excessivamente dentro de si mesmo, basta se permitir abrir a porta e com a ajuda de profissionais habilitados, olhar para tudo o que está disfuncional e iniciar a faxina.