O sentimento de segurança nasce da validação que recebemos desde que somos pequenos, do sorriso dos pais, da palavra de incentivo dos avós, da opinião do professor na apresentação de uma leitura de um texto nos primeiros anos da escola primária. Vamos criando uma imagem acerca de quem somos e de nossa capacidade de acordo com os referenciais externos, um processo de construção diária.

Porém, o inseguro nunca foi validado em suas escolhas, ou mesmo não recebeu um feedback positivo do qual pudesse confiar, interferindo negativamente na construção de uma percepção mais estruturada de sua capacidade. Sem parâmetros não temos direção, vamos seguindo em frente porque não temos outra opção, mas o percurso se torna árduo, caímos, levantamos e a caminhada se torna pesada.

Uma questão que também impacta nessa equação é termos um modelo de pais que apresentam humor inconstante, pois o mesmo comportamento que foi validado em um determinado momento foi rechaçado em outro. Este é um modelo familiar do qual não sabemos o que esperar, se iremos ou não agradar, se o que fazemos está certo ou errado. O território se torna perigoso, e o pior é que projetamos esse mesmo modelo em outras relações que estabelecemos pela vida. Todo o entorno se torna ameaçador, continuamos a pisar em ovos, mesmo com aqueles que não oferecem perigo.

Em função da insegurança e do complexo de inferioridade, acabam perdendo muitas oportunidades bacanas porque se sentem incapazes de reconhecer as suas reais competências. Mesmo sentindo o desejo de mudarem de vida, de investirem em uma nova carreira ou mudarem de cidade, não acreditam que não têm condições emocionais e intelectuais de assumirem novos desafios. O medo de arriscar e fazer tudo errado é muito forte, não querem passar por situações em que não se sintam valorizados ou rejeitados, pois sentem que não lidam bem com possíveis críticas que possam ocorrer.

Outro aspecto importante a citar é que assumem uma postura passiva em situações das quais precisariam dizer não, o que acaba se tornando um grande problema, pois acabam assumindo tarefas que não lhe cabem para não desagradarem outras pessoas. Essa falta de posicionamento acaba gerando um sentimento de vitimismo, pois acreditam que abusam delas em função da falta de coragem que sentem em dizer não.

As relações sociais também acabam sendo afetadas justamente por desenvolverem uma dependência emocional das pessoas próximas com as quais têm algum tipo de vínculo, é como se precisassem de um porto seguro para se apoiarem. Nesse processo acabam causando o afastamento ou gerando conflitos com as pessoas próximas, pois nem sempre correspondem ao que o inseguro idealiza ou necessita.

Desta forma percebemos o quanto é desafiador para o inseguro estabelecer uma relação de confiança em si mesmo e na vida, pois os pensamentos disfuncionais estão o tempo todo minando qualquer manifestação de coragem que possa surgir. É fundamental que busquem atividades e terapias que possam auxiliar no processo de ressignificação das suas experiências passadas e que fortaleçam a autoestima, para que desta forma consigam mudar os comportamentos disfuncionais que apresentam. A percepção que temos de nós mesmos serve como principal ferramenta para que possamos transitar pela vida com leveza e confiança.