Tratamos as dores da pior forma que existe, nossa cultura nos ensina a saná-las somente com medicações, mas quando falamos do emocional nem sempre é o melhor caminho. A medicação pode sim auxiliar em vários processos, mas não consegue atingir as dores da alma, estas sim quando são suprimidas explodem em várias outras patologias físicas.

Já temos muitos estudos sobre a psicossomática e a relação do emocional com as doenças, sendo um precioso caminho a ser investigado e tratado. Todos nós passamos por diversas situações que deixaram marcas profundas em nosso sistema, e quando não encontramos espaço para que sejam elaboradas, com o tempo vai se tornando um sintoma real.

Vamos desenvolvendo alguns nãos para vida, mas não temos a percepção clara de como isso funciona e os porquês, simplesmente focamos no agente que promoveu a dor e ficamos com a mágoa, a raiva, o ódio e a tristeza. Vamos nos fechando para a vida, ficando na defensiva, segurando os sentimentos para evitar a dor.

Quando desenvolvemos o não para a vida deixamos de ter alegria, nos fechamos para tudo o que é bom, vamos secando aos poucos. Reclamamos que nada dá certo, que o dinheiro não chega, que não recebemos o amor de ninguém, mas tudo isso ocorre porque você está travado, pois ao dar também recebemos, e quem está machucado normalmente se protege e não abre o coração.

Mas é importante entender que essas dores não devem ser colocadas dentro de uma gaveta e ignoradas, elas devem ser olhadas. Devemos ficar com os sentimentos e emoções, deixar aflorar e buscar compreender de onde elas vieram e assim nos desidentificar das mesmas.

Para não entrarmos em contato com as dores vamos nos tornando mais controladores, desta forma ignoramos o que sentimos na marra, mas essa não é a melhor solução, só conseguirá alimentar ainda mais o vulcão interno.

Na maioria das vezes estamos tão cansados de buscar uma solução que só queremos algo mágico para curar essas feridas, algo que nos faça sentir mais fortes, mais seguros, pois tudo isso cansa muito, há um enorme gasto de energia.

Não podemos deixar o eu interno ficar identificado com a dor, e sim trazer a luz para dentro da nossa história e assim entender o que as mesmas trouxeram de bagagem para a vida.

Esse processo de cura envolve a ajuda de um profissional habilitado, já que não é tão simples como parece, aliás, acaba sendo bem incompreensível para a maioria das pessoas como deve ser o olhar para dor e a busca por uma ressignificação.

Mas a questão é que ao surgir o sintoma ele lhe dá pistas do que precisa ser resolvido a nível emocional, o que ainda promove tristeza e dor. No processo de cura é oportunizado ao paciente falar sobre ser acolhido, aceito e, sobretudo, lhe é oferecido uma escuta profissional e técnicas que possibilitam a cura, entendendo aqui que tudo o que passou não pode ser apagado, mas sim ressignificado.

Quando nos abrimos para a cura vamos limpando o campo, favorecendo que as dores sejam bem abrandadas, e quando o perdão chega, conseguimos liberar o peso e as dores mantidos até então em nosso sistema.