Já ouvi várias pessoas falarem que quando conhecem alguém muito doce, já ficam com o pé atrás. Assim, como o bonzinho, o cara legal que sempre faz tudo pelo outro, o que usa sabiamente as palavras para impor o seu ponto de vista, também pode ser bem pernicioso e manipulador.

Eu mesma já caí no conto do vigário diversas vezes, achava que estava sendo acolhida, que estava fazendo um novo amigo e quando me dava conta, eu me frustrava novamente. É claro que o que me fazia ficar iludida por pessoas de fala mansa era justamente porque eu permitia, não entendia ainda o que me ligava a essas situações ou pessoas. Mas tive um excelente professor anos atrás e ele foi a mola propulsora de meu crescimento, pois eu consegui entender e identificar mais rapidamente esse comportamento manipulativo.

Só que tem pessoas que não aprendem com as experiências ruins e seguem transformando a vida em um rastro de ressentimentos e decepções, caindo na lábia de um manipulador cada vez que ele surge em seu caminho. A questão aqui não é questionar pessoas de bom coração, mas entender que todos nós temos lados iluminados e sombrios, um lado que queremos mostrar ao mundo e outro que recolhemos e tentamos a todo custo abafar, esconder nas profundezas de nosso ser.

A partir do momento que nossas ações ou a de outras pessoas começam vir à tona e causar desentendimentos, separações, assim revelando uma necessidade de controle, aí sim é hora de ligar o alerta e repensar, mas para isso devemos estar muito atentos e em um profundo processo de autoconhecimento.

A doçura é um aspecto que se apresenta disfarçada, ela vem acompanhada de muita tranquilidade, acolhimento e em um dado momento captura justamente aquela pessoa que está carente, sem muita percepção de si mesmo e do outro. Ouvimos dessas pessoas justamente aquilo que ansiamos ouvir, recebemos a validação que esperamos. Por isso a queda se torna maior, pois é mais fácil julgar e acreditar que a pessoa agressiva que é ruim, mas talvez ela seja mais verdadeira e confiável àquela que usa máscaras de doçura para conseguir controle.

Não é minha intenção nesse momento me aprofundar nesse tema, ao que leva ao uso desses mecanismos tão desenvolvidos de comportamento, mas mostrar que é nossa responsabilidade ir além, estarmos atentos ao que é de nosso e o que é do outro, desta forma já iremos ampliar o olhar e estarmos mais aptos a lidar com as diversas situações que surgirem.

“Construímos um esgoto social do qual ninguém escapa. Uns admitem nele habitar, outros negam sua existência, mas todos vivem em seus porões.”  Augusto Cury