Apesar de amplamente divulgada nos veículos de comunicação a bulimia nervosa ainda é uma doença cercada de tabus, muitas mulheres desenvolvem esse transtorno alimentar por encontrarem um alívio imediato frente às suas angústias, e também na tentativa de eliminarem o excesso de comida consumida. Desde o início da Pandemia eu percebi um aumento expressivo desses transtornos em jovens, o que nos leva a pensar em como foram impactados com o isolamento social.

A adolescência é um ciclo muito delicado em que os jovens começam a sentir as diferenças no corpo, as meninas vão ganhando contornos ao mesmo tempo que iniciam as inseguranças. Começam a inspecionar cada centímetro do corpo, se comparam com outras amigas, com as blogueiras do Instagram, e como ainda são muito jovens não avaliam com critério toda essa cultura da beleza que nos é vendida diariamente. O fato é que as meninas estão mais expostas a essas influências e acabam direcionando todas as suas inseguranças no corpo, gerando um grande problema.

Apesar de a adolescência fazer parte do processo natural da vida, é também um dos períodos em que vamos desabrochando, vamos acordando não só para as mudanças corporais, mas começamos a ter mais consciência do nosso papel como mulher, menstruamos, o nosso corpo começa a atrair olhares masculinos, e para muitas adolescentes isso pode ser extremamente constrangedor e angustiante. A comida entra como um grande amortecedor da angústia, como um recurso inconsciente de tirar a atenção aos sentimentos que confundem, geram medo e ansiedade.

A bulimia nervosa se caracteriza pela ingestão exacerbada de comida em um curto período de tempo podendo oscilar entre 2.000 a 5.000 calorias a cada episódio, sendo comum a presença de sentimentos de culpa e vergonha. As formas de se colocar para fora o excesso ingerido pode ser através de vômitos autoinduzidos, uso de laxantes, diuréticos e excesso de atividade física.

Veja os principais sinais para se identificar um quadro de bulimia nervosa:

• Humor depressivo;
• Preocupação excessiva com o peso e o corpo;
• Descontroles alimentares na tentativa de aliviarem a angústia;
• Dieta restritiva seguida de episódios de compulsão;
• Alto consumo de alimentos calóricos e doces;
• Sentimentos de culpa e vergonha;
• Consumo de laxantes e enemas para controle do peso;
• Após as refeições usar o banheiro para seus vômitos secretos;
• Atividade física excessiva;
• Planejar as compulsões e as oportunidades para a realização;
• Sensação de perda de controle e desaparecimento após a refeição.

Ao desconfiarmos que nossos filhos possam estar apresentando um quadro de bulimia nervosa devemos procurar ajuda rapidamente, pois quanto antes pudermos ajudá-los, mais fácil ocorrerá a remissão do comportamento. É importante lembrar da importância de buscar a ajuda de profissionais devidamente habilitados como o psicólogo, o nutricionista e o psiquiatra, todos especialistas em transtornos alimentares.