Se fizermos um levantamento das situações que mais nos provocam ansiedade, perceberemos que normalmente ocorrem por estarmos preocupados com momentos que ainda não aconteceram. Não sabemos o que nos aguarda daqui a um dia, seis meses ou um ano, mas tentamos organizar as nossas ideias sobre as possibilidades constantemente.

Ao pensarmos que controlamos fatos que ainda não aconteceram pelo simples fato de nos organizarmos mentalmente, toda a angústia do desconhecido é camuflada, porém por mais que o objetivo seja eliminar o que incomoda, o corpo libera a angústia em forma de ansiedade.

Certa vez uma conhecida me relatou que passava horas do seu dia planejando como seria o seu casamento, e a cada homem que conhecia despejava nele toda a ansiedade que a consumia, o que fazia com que essas pessoas se afastassem rapidamente dela. Ela não entendia o que acontecia de errado, pois tão focada em casar que nem percebia que não estava respeitando o processo necessário de um relacionamento sólido. Quando jogamos toda a nossa expectativa em cima de outra pessoa acabamos por minar o relacionamento por não conseguirmos nos manter na presença, isto é, estamos sempre alguns passos à frente do que deveríamos estar.

A ansiedade é um grande problema na nossa vida a partir do momento que perdemos o contato com o aqui e agora e ficamos morando no futuro vazio. A sensação é de inquietude, de desconforto, podemos até dizer que é uma fuga da realidade que promove dor ou incômodo. Penso que andamos na contramão, não aprendemos a encarar os medos e os desconfortos, sendo mais fácil não pensar e simplesmente sustentar o imaginário.

É nesse movimento de fuga que o álcool, a comida e as drogas ganham espaço, justamente para amortizar o buraco sem fundo. Estamos ansiosos, não buscamos as soluções assertivas e, por exemplo, bebemos para esquecer, para dar conta do desconforto. Podemos até pensar que a ansiedade é um mecanismo que está a serviço da distração. E para quem pensa que não está preso a esse jogo, tenho uma má notícia, trabalhar demais, estudar sem parar, tudo que fazemos excessivamente também é um mecanismo de fuga.

Talvez seja importante se fazer as seguintes perguntas:

– O que está disfuncional em sua vida?

– Por que permite que esse estado de ansiedade lhe roube a paz ao invés de fazer o enfrentamento das situações que verdadeiramente te incomodam?

Quem sabe a partir dessas questões você possa olhar verdadeiramente para dentro de si mesmo e encontre um tempo para parar com tudo e encarar os seus medos, entendendo que toda situação ocorre em função de um conflito, e todo conflito ocorre para que possamos sair da zona de conforto.