A foto mais curtida da história do Instagram – quase 10 milhões de likes – reúne três coisas irresistíveis da atualidade: celebridade, nudez e gravidez. Pessoas famosas atraem atenção, já sabemos. Pessoas famosas nuas, mais ainda – não é novidade. A surpresa nessa equação é a gravidez. De gêmeos, no caso de Beyoncé.

Está longe de ser a primeira vez que uma grávida aparece nua ou quase. Mas acho que a razão para o imenso interesse sobre a imagem mudou.

beyonce

Nos anos 70, com Leila Diniz, houve um pouco de escândalo. De biquíni, e grávida?! Aquela barriga à mostra era inédita. E chamava todos os olhares. Depois, nos anos 90, veio Demi Moore. Não era uma imagem escondida entre as páginas: era a capa da revista Vanity Fair. A ideia era causar impacto. Como bem lembra o colunista Maurício Stycer, seguiram-se então muitas outras.

Hoje, tenho a impressão que não foi a ousadia ou o ineditismo que fez a imagem de Beyoncé ‘quebrar a internet’. Foi o interesse das pessoas por sua maternidade. Esse interesse que, de tão intenso, fez Jennifer Aniston escrever uma carta dizendo que, não, ela não está grávida – só está de saco cheio das especulações mesmo. E faz de Melinda, filha de Thaís Fersoza e Michel Teló, uma celebridade nas redes sociais.

Não sei vocês, mas notei uma mudança nos sites de celebridade de uns tempos para cá: temos menos ‘fulana paga peitinho em xxx’ e mais ‘fulana anuncia que está grávida’ ou ‘faz ensaio para comemorar gravidez’ ou ‘volta à boa forma depois da gravidez’. Ou, como Kelly Key, transmite parto ao vivo.

Não acho a mudança ruim – afinal, essas ‘notícias’ de pagar peitinho são o ó. Só acho curioso que o fetiche tenha se deslocado para a maternidade e tudo que a cerca.

Por isso a foto da Beyoncé e o barulho em torno dela me lembraram de uma outra história. A da escritora nigeriana Chimamanda Adichie. As duas têm coisas em comum, além das artes: ambas são negras e identificadas como feministas. Beyoncé até usou uma palestra de Chimamanda como inspiração para a sua música Flawless. Ainda assim, tomaram dois rumos diferentes quanto à gravidez. Enquanto a cantora anunciou ao mundo a notícia, a escritora manteve sua gravidez só entre os familiares. Foi só em um comentário rápido, durante uma entrevista ao jornal Financial Times, que o mundo ficou sabendo que Chimamanda agora era mãe de uma menina.

Ela explicou um pouco sua opção. “I just feel like we live in an age when women are supposed to perform pregnancy. We don’t expect fathers to perform fatherhood” (algo como: “Sinto apenas que vivemos num tempo em que a mulher deve fazer da gravidez uma performance. E não esperamos dos pais a mesma coisa”).

Com isso, não estou dizendo que Chimamanda estava certa e Beyoncé, errada. Longe disso. Para Beyoncé, seria muito mais difícil manter a notícia só entre a família. Com Blue Ivy, essa tentativa acabou gerando mais dor de cabeça do que benefício. A cantora chegou a ser acusada de forjar uma gravidez. Veio a público depois dizer que nunca brincaria com algo tão sério e contou o trauma do aborto espontâneo que havia tido antes.

Fiquei pensando se a tão curtida foto seria menos uma celebração e mais uma autoproteção e fiquei triste. Preferia a alegria ousada de Leila Diniz à cobrança por uma ‘gravidez real’ sobre Beyoncé. Por isso a atitude de Chimamanda é tão interessante. Ela manda um recado: vivam e deixem viver como querem as mulheres que esperam.

#StylistInChief. Não contente em bagunçar a vida de um monte de imigrantes e aterrorizar o mundo, Trump atazana a vida de seus funcionários. Além de explodir sobre eles quando fica frustrado – como o público menor do que o esperado em sua posse, por exemplo -, o presidente americano cobra uma boa aparência de quem trabalha para ele. Deu um pito no assessor de imprensa por causa do terno, que não ficava bem na TV. E prefere que suas funcionárias se vistam ‘como mulheres’. O que, na cabecinha de Trump, segundo pessoas próximas, é usar vestido. A campanha #DressLikeAWomen, com médicas, bombeiras, militares, tem mostrado que, aparentemente, é possível ser mulher usando outros tipos de roupa. Surpresa! Agora, se Trump é tão preocupado com as aparências, poderia começar com a dele mesmo, não? A revista GQ deu dicas para que ele pareça um presidente – já que agir como um é bem mais difícil!

#FreeTheNipple. Não é de hoje que o sutiã é símbolo de opressão: as feministas chegaram a queimar a peça em protestos nos anos 60 e 70. Eles eram mesmo parecidos com instrumentos de tortura, tantos ferros retorcidos. E, se agora são mais ‘gentis’ (bem-vindos, algodão e plástico!), continuam tendo a mesma função: esconder dos olhos alheios os mamilos femininos. Os masculinos continuam livres, leves e soltos. A rigor, os mamilos são iguais, não importa o sexo. Uma galera está convencida disso e está dando adeus à peça – tem até dica de moda para quem quer aderir. Há quem diga, porém, que a questão é o contexto: o mamilo feminino está plantado num montinho (ou montão, depende!) de gordura. Contexto por contexto, por que não liberar os mamilos que amamentam? Pois é! Engraçado pensar que essa mesma parte do corpo não causava nenhum alvoroço no Egito Antigo, entre os indígenas e na Renascença, como conta esse vídeo (em inglês).

Nem Maria nem Zezé. Já vinha acontecendo em outros carnavais, uma vaia aqui, outra ali, mas agora alguns blocos do Rio decidiram banir de vez marchinhas tradicionais como Maria Sapatão e Cabeleira do Zezé. A ideia é evitar músicas que tenham uma depreciativa das mulheres e dos homossexuais. É verdade que o veto não deve resolver o problema da violência contra lésbicas e gays, mas está ajudando a pensar sobre o assunto. Ao banir as marchinhas, os blocos criaram uma bela discussão. Ainda sobre o carnaval, um serviço público: aplicativos para denunciar a violência contras as mulheres.

Uma história fascinante. A mulher que recebeu 65 propostas de casamento em 61 anos de vida. E recusou todas. Garimpada pelo New York Times, em inglês.

Para se acabar. Dez sobremesas com chocolate.

Para se redimir. Como usar legumes até o talo.