A volta as aulas são esperadas pelas crianças todo começo de ano letivo. Seja pela saudade dos amigos e a vontade de revê-los, seja porque ali é o espaço seguro que elas têm. Estar dentro da escola e não na rua garante a crianças e adolescentes a segurança e proteção contra diversas violências. Acreditem: a escola é um dos lugares mais seguros para a criança estar. Isso porque professores são importantes mobilizadores para questões que afligem muitas crianças. O estar dentro da escola é fundamental para garantia de algo que é direito da criança: segurança.

Talvez você não se reconheça nesse texto porque vai pensar “bom, meu filho vive super seguro”. Sem dúvida! Mas 80% das crianças brasileiras estudam em escolas públicas, segundo dados do MEC, e, infelizmente, estão sujeitas a muitos percalços que escolas particulares evitam. O que não tem relação direta com a escola, mas que diz muito sobre condições de vida daquela criança, educação, cultura e núcleo familiar.

A escola é um espaço de socialização entre tantos outros e é nesta socialização que crianças e adolescentes constroem relações. Com amigos ou professores, isso os deixam confiantes e seguros de estar dentro da escola e poder compartilhar alegrias e angústias de um universo tão particular que é a própria individualidade.

A construção dessa parceria só é possível porque professores são mobilizadores fundamentais para as diversas questões da infância e a presença da criança e do adolescente na escola torna-se fundamental para a garantia desse direito. E para isso é preciso falar com os alunos sobre os temas mais variados como violência doméstica, machismo, drogas, exploração sexual entre tantos outros que consideramos duros e difíceis de nos relacionarmos.

Por acreditar nesse potencial mobilizador e transformador dos professores, o Instituto Liberta realizou, em 2018, 182 rodas de conversas sobre o tema Exploração Sexual, pelo Estado de São Paulo. Foram cerca de 30mil km percorridos para falar, olho no olho, com 6 mil professores da rede – quem fica olho no olho com crianças e adolescentes que sofrem violência.

A escola está inserida num cotidiano perverso de crianças e adolescentes que sofrem violências e que precisam ser conversadas. Conscientizar, sensibilizar e dar ferramentas a esses professores de como agir é uma maneira extremamente importante de combater a violência. Com orientação sobre como agir, o que fazer, os professores se tornam fundamentais na proteção dessas crianças.

Falar sobre violência sexual nas escolas é de extrema importância e o Liberta se debruçou sobre essa questão em 2018. Os resultados vieram em números o que comprova matematicamente algo que poderia ser apenas intuitivo. Segundo carta enviada pela Secretaria de Educação do Governo do Estado, as denuncias que vinham da rede aumentaram cerca de 300%. De 464 casos denunciados entre 2016 e 2017, passou-se a 631 apenas num semestre do ano passado. O que demostra a grandiosidade do trabalho e sua importância.

“As rodas de conversa, promovidas pelo Instituo Liberta e coordenadas pela profa. Cristina Cordeiro, tocaram em um tema que, embora seja recorrente e perturbador, pouco é discutido nas nossas escolas: a violência sexual de vulneráveis”, escreve Sandra Maria Fodra, do Sistema de Proteção Escolar. “Durante as rodas, os servidores foram sensibilizados e conscientizados sobre as consequências sofridas pelos meninos e meninas que sofrem violência sexual e orientados quanto aos procedimentos a serem realizados nos casos identificados nas escolas”.

Os educadores tinham uma série de duvidas. Assim como os alunos, crianças e adolescentes também têm. E só é possível mudar essa realidade tão duro através dessas parcerias onde mais do que confiança, existe cumplicidade. Seja entre educadores e Liberta. Seja entre educadores e crianças. A escola é um espaço fundamental para mobilização de um tema que é duro e necessário de ser olhado e cuidado.