Igual passarinho que deixa o ninho. Sempre achei que conforme os meninos fossem crescendo, eu iria me acostumar mais com as despedidas. Pela “simples” razão deles já serem mais independentes e autônomos. Dá pra ir mais tranquila. Sim, isso dá. Mas parece que não tem jeito. O coração aperta como se fosse a primeira vez. Ainda que você saiba que daqui poucos dias estará dando pulos de alegria tamanho será seu sossego.

Viajar sem filhos significa algumas coisas importantes. Vamos lá: você não precisa acordar cedo todo dia, não precisa pensar no lanche da escola, aliás, não tem ninguém pra buscar na escola. E se a professora precisar falar sobre a roupa da festa Junina, você vai pedir, feliz, pra que ela fale diretamente com o pai – afinal você está viajando. Não precisa ir ao supermercado, pensar nas 200 refeições da semana e nem se a água dos gatos e cachorras está limpa e fresquinha. Pedir que arrumem as camas ou tirem as toalhas molhadas sobre elas? Também não.

Viajar sem filhos tem dessas coisas. Mas tem também um silêncio que a gente carrega na mala. Silêncio bom de solitude e saudoso de solidão. De quem sabe bem os sentidos das palavras.

Felipe, nossas conversas vão me fazer falta. Você por quase 1h no carro falando, sem parar, sobre cartas Pokémon. Quanto que elas têm de ataque, as mais fortes que você tem e a descoberta que viu pelo YouTube. Ou me pedindo pra parar na banca e comprar um pacotinho. Adoro quando você me pede pra abrir porque eu dou sorte. A gente tem sorte juntos.

Lucas, vou sentir falta de provocar o seu silêncio. Pedir pra você tirar os fones de ouvido e falar com a gente. De quando a gente volta juntos do clube e você conecta suas músicas no carro pra eu ouvir. “Mãe, escuta esse remix”. A música acompanha nossas conversas. De noite, não vai ter ninguém pra eu ficar batendo na porta do banheiro e pedir pra abaixar o som. Teus banhos estão mais pra show do Lollapalooza do que qualquer outra coisa. Espero que os vizinhos gostem da sua playlist. Eu adoro!

Pedro… vão ser mais de 2 meses sem te ver. Sua viagem emenda com a minha e o tempo será longo pra gente. E vou sentir falta das tuas mil perguntas durante o dia sobre as logísticas todas. “Mãe, tô saindo pra buscar o Felipe. Quem pega a gente no clube?”. O menino dono da rotina da casa, o que sabe tudo que acontece e onde está cada um. Planejamento é com ele mesmo. Quem vai planejar meu dia aqui? Eu quero o Pedro!!! Meu adolescente doce companheiro.

Quando uma mãe viaja e os filhos ficam é assim mesmo. Esse misto de sorriso no rosto, de gosto da liberdade com coração apertado de saudades. Igual passarinho que deixa o ninho. Que voa longe, mas depois volta. Vejo vocês em breve.