Cada vez mais, crianças são diagnosticadas com doença de adulto. Porque, cada vez mais, crianças fazem coisas de adulto. Elas vão ao médico porque estão estressadas, têm hipertensão, estão com gastrite, colesterol alto e até depressão. Sim! Tem criança tomando remédio de depressão. Porque está triste, se achando um lixo, não quer brincar, está apática. Na contra-mão, tem criança se entupindo, literalmente, de Ritalina. Pra dar sossego. Porque não acalma, não fica quieta, não presta atenção, dispersa. Nem tão lá, nem tão cá, no fundo o que estamos fazendo é medicando uma geração de crianças que esta sob pressão por uma única razão: a de ser!

 

Crianças precisam ser algo. Precisam ser bem-sucedidas porque o mercado de trabalho está cada vez mais acirrado. Então aceleramos o processo delas de aprendizagem e proporcionamos uma enxurrada de cursos e aulas extras para absorverem o máximo que puderem de conteúdo. Assim, com a melhor das intenções, vamos entupindo e esgotando as crianças. Tiramos o prazer pra colocar obrigação.  Deposita-se uma carga gigantesca em quem tanto se espera ser o futuro. Mas já dizia Gandhi que a mudança que queremos ver no mundo começa em nós. Depositar no outro seus sonhos e seus anseios é como correr atrás do próprio rabo. Não se chega lá nunca.

 

Mudemos o foco. Crianças não são o centro do universo nem das nossas vidas. Pais centrados criam filhos centrados, plenos, completos. O que trocamos com o outro, sem deixarmos de ser nós mesmos, é ouro. É a intersecção da relação positiva e saudável. Porque está faltando saúde. Saúde geral. Saúde de uma nação – na ação/ em ação. Tem um ditado que diz “corpo são, mente sã”. Não se torra a vitalidade de uma criança na infância.

 

Buscar soluções médicas para patologias de adulto em uma criança é como medicar o sintoma. O remédio, o remediar, está no caminho do meio, no equilíbrio. Trabalho de criança é brincar e crescer, e não passar quatro horas por dia fazendo lição de casa ou matriculá-la aos 5 anos no Kumon porque precisa de reforço. As doenças nada mais fazem do que nos devolver a nós mesmos. Ou seja, aquilo que não resolvemos de forma consciente, o corpo resolve pra gente. São os sentidos das doenças, e existe uma lista delas. Dizem que os olhos são o espelho da alma; que quando a boca cala o corpo fala; engolimos um sapo quando não falamos algo, e a garganta dói; o estômago arde quando a raiva não sai; asma é sentimento contido; e labirintite é o medo de não ter controle. Pra todo efeito existe uma causa. Causa de alma. Da alma. Tudo que dói contrai, leva pra dentro, leva pro eu, pro ego. Egoísmo. Tudo que traz alegria e amor expande, vai pra fora, é altruísmo. Talvez esteja aí a resposta: ensinar as crianças a serem para o outro, em amor ao outro. Em comunidade – comum unidade – unidade comum. No senso de coletivo, devolveremos saúde a nossa nação, juntos em ação. E ensinaremos as crianças a serem sociedade. Como parte dela e não como centro dela. Como altruísmo. Requisito básico para um futuro que todos queremos. <3