Ano começa, estudos novos são publicados e muito se fala sobre a geração do futuro. Quem eles serão, como vão se comportar, quais serão os hábitos de consumo… E a grande sacada dos estudos mais recentes traz também “qual é a educação do futuro”. Nada mais propício para um ano que começa com um leque tão amplo de possibilidades do novo governo (sem entrar no mérito da questão em si).

“Preparando novos humanos” é como começa o texto de resultado de estudo feito pela agência de tendências e pesquisa, WGSN. “Se pudermos eleger a área mais crucial para uma mudança de mentalidade, que nos ajude a fazer uma transição saudável para a Quarta Revolução Industrial, essa é, por unanimidade, a educação. A educação é o princípio de tudo. O que aprendemos cedo na vida influenciará substancialmente a maneira como enxergaremos a realidade e que ferramentas usaremos para transformá-la”, revela o início do estudo.

De novos formatos pedagógicos ao uso de devices tecnológicos, tudo está se transformando na sala de aula da chamada Geração Alpha (nascidos a partir de 2010, eles veem depois da Geracão Zque são os jovens adolescentes de hoje), que será cada vez mais personalizada e customizada para os alunos. De acordo com algumas projeções, eles serão um boom demográfico, proveniente principalmente de lugares como a Índia, a China e a África. Isso deve gerar um grande impacto social e cultural no futuro, uma vez que grande parte da juventude ativa e criativa se encontrará fora do eixo ocidental EUA-Europa que conhecemos hoje.

Para atender às necessidades dessa geração, escolas e startups de educação adotam estratégias inovadoras e revolucionárias. Em primeiro lugar, os educadores estão buscando novas maneiras de preparar estudantes para tecnologias que ainda precisam ser inventadas. Para viabilizar isso, o currículo escolar está incluindo ferramentas e metodologias pouco ortodoxas, como gamification e design thinking, que devem se tornar conceitos educacionais permanentes na grade das escolas. São conceitos educacionais importantes para uma geração que precisará de criatividade e de uma abordagem colaborativa para sobreviver no mercado de trabalho futuro – aliás, assunto este também tema de muitos estudos e reportagens.

A Fluent City é uma escola de idiomas nesses moldes. Considera-se “a escola de cultura para o curioso insaciável”. A start-up de Nova York garantiu um financiamento de US $ 2,5 milhões em 2016 e hoje está aplicando seu ensino através de métodos não-convencionais e a chamada filosofia experiencial em áreas que vão além dos idiomas, como culinária, cultura e viagens. Acredita em cursos discovery-based e em aulas que se transformam em imersões de um mês inteiro. “Nós anseamos por uma vida próspera e multidimensional ” diz o CEO James Rohrbach. “Estamos construindo o primeiro hub multidisciplinar para esse tipo de aprendizado em rede e baseado em exploração de formatos.”

Codificação está prestes a se tornar tão importante quanto alfabetização para todos os alunos, não apenas aqueles configurados para se tornarem engenheiros de software. Educadores estão encontrando novas maneiras de se preparar estudantes para tecnologias que ainda precisam ser inventadas, e o Vale do Silício está cada vez mais vocal sobre o que o futuro precisa em instituições educacionais. Solução de problemas as habilidades natas são valorizadas em relação à aprendizagem baseada em assuntos.

Da mesma forma, a prática de mindfullness passa a integrar a grade de atividades fundamentais, afetando presença e concentração para um melhor aprendizado. Coerentemente com o que o mercado de trabalho tem exigido, criatividade e colaboração se tornam competências fundamentais a serem desenvolvidas desde o ensino fundamental.

Desiludidos com o sistema escolar, modelos de aprendizagem que pressupões contato com a natureza e a exploração do lado de fora da sala de aula pedem menos exames e mais vivência no processo de avaliação dos alunos. Modelos de aprendizagem estão considerando a saída do ambiente fechado da sala de aula e substituindo os exames tradicionais por vivência e experimentação. O ato de brincar ganha protagonismo no processo de aprendizado e o empreendedorismo, qualidade natural da geração Alpha, inspira um novo modelo de ensino, que dá mais liberdade para o aluno. Até mesmo regras centenárias de comportamento em aula estão sendo revistas ou até eliminadas, privilegiando uma expressão mais espontânea de identidade para quem aprende.

Deep Green Bush é o nome de uma nova escola alternativa da Nova Zelândia, onde a sala de aula é virada do avesso e os alunos passam a maior parte do tempo entre as árvores, aprendendo a pescar, caçar e cozinhar, inclusive fazendo seu próprio fogo. No Reino Unido, em um cenário único de floresta nativa, está o Jardim da infância de floresta Sevenoaks.

Sua fundadora, Caroline Watts, explica: “Aqui, estamos muito longe de quaisquer problemas criados pelo mundo moderno, ligados a administração, tecnologia e gerando tédio. As alegrias de cada estação estão presentes, enquanto coletamos castanhas com as formigas olhando e a água da chuva tocando o rosto”. Isso é o mundo real.

A sensação de que a educação não está funcionando porque está muito desconectada das necessidades do nosso tempo é presente em muitas sociedades. Conectar os saberes ao mundo real parece uma das chaves de mudança do campo da educação. Educação como algo que antecipa o treinamento de habilidades profissionais, colocando o brincar, o empreendedorismo e a tecnologia no centro do aprendizado. O “passar conteúdo” incide a ter um porquê além do “simples” ensinar o que outras gerações já descobriram. Escolas e educação conectadas com passado, presente e futuro. Como forma de adquirir conhecimento, entendê-lo e saber transformá-lo em futuro.