Tenho escutado muita queixa das escolas de que os pais não compreendem determinadas posturas ou atividades propostas pela mesma. Eles questionam algumas formas de lidar com determinados assuntos, reclamam sobre atividades que sujam a roupa, indagam do porquê disso ou daquilo. E muitas escolas acabam emudecendo nessa hora. Ficam com certo medo de marcar valores e identidades e recuam em nome de uma matrícula. Sim, nessas horas o que pesa é a matrícula no orçamento da escola. Mas será que essa é uma boa solução a curto, médio e longo prazo? Por que algumas escolas têm tanto medo de dizer o que pensam e por que os pais tem tanto medo dos filhos descobrirem que existem opiniões diferentes? De entregar seus filhos a alguém que não é o seguro da sua casa e muito menos do universo que o circunda.

É uma geração de pais tão super protetora que até “salvar” os filhos da opinião ou visão alheia tenta-se proteger. Algo como “eu garanto a formação intelectual do meu filho em casa porque são os valores que eu acredito”. Ok! Tudo certo por aqui. Mas o mundo não é feito só de uma cor e é preciso salvar os filhos da falta de empatia, da falta de olhar e escuta ao outro e não o contrário.

Quando uma mãe ou um pai discute com a escola – bate de frente – porque a mesma trouxe aos alunos determinados assuntos (que são polêmicos sim), revela um medo tremendo da descoberta de mundo pelos pais. É preciso ampliar os olhares, as perspectivas de mundo, do outro. Para isso é preciso escutar diversos pontos de vista. E é só pela diversidade que se constrói opinião, se constrói argumentação. Senão a criança e o adolescente crescem perguntando aos pais que roupa ele deve usar. Básico assim. Porque ninguém o ensinou a se perceber, a se conhecer. A construir seus próprios valores e sentidos. Acreditem, é básico como ser capaz de escolher uma roupa. Escolher um prato no restaurante, dizer que prefere este filme que aquele e lá na frente, poder escolher em quem vai votar.

Mães e pais também precisam de formação pelas escolas. Importante a escola ser capaz de compartilhar conhecimento e construção de pensamentos também com as famílias. Disponibilizar textos, enviar textos ou matérias, promover encontros, conversas, falas. Promover a escuta do que existe do lado de lá. Do que se pensar e porque se pensa de tal forma. Importante as famílias estarem aberta a escuta e as escolas promoverem esses espaços de troca. Para que a gente tenha mais perguntas e embates construtivos que destrutivos. Não é força que se mede. É preciso ampliar os olhares e as perspectivas. Dentro das escolas para que elas repercutam fora também. Positivamente. Porque é preciso fazer juntos.