Praia, sol, mar, folia, crianças correndo e brincando sem parar. A maré está baixa e uma enorme rocha, cheia de corais, expõe o esconderijo dos caranguejos. Felipe e Luiza, 8 e 9 anos respectivamente, se encantam com a natureza. Observam cada buraquinho das rochas. Os caranguejos são grandes, mas tem os filhotes também. Tem até recém-nascido, segundo a Luiza. Os dois observam com cuidado. E curiosidade. Falam das diferentes cores, do casco grosso, do que eles gostam de comer e o que a gente pode e não pode fazer. Sim, porque não dá pra chegar pondo a mão onde você não foi convidado, não é?

 

Outro período, na mesma praia, um filho brinca na areia enquanto o pai arranca os caranguejos das pedras e joga (sim, joga. Você leu corretamente), para o filho na areia brincar (sim, você leu corretamente de novo. É brinquedo). A cena era tão assustadora que custava pra entender que era aquilo mesmo que os olhos viam.

 

Mas sempre tem uma boa alma pra parar na praia e resolver falar com o sujeito. “O senhor sabe que está matando esses caranguejos e que isso é um crime ambiental? ”, pergunta Katia, indignada à ele – que retruca. “Qual sua formação pra saber o que está falando? ”. Katia diz a ele que é engenheira ambiental e devolve a pergunta ao sujeito.  A resposta é tão assustadora quanto as marretadas que ele dava nas pedras para arrancar os caranguejos de lá. “Sou médico”. Sim, médico. Médico??? Profissão que tem como missão salvar vidas estava ali a acabar com elas. Como faz nessa situação pra ensinar a seu filho o cuidado que devemos ter com o outro, com a vida, com a casa de cada um, com a privacidade, o respeito… Não faz né.

 

Lições de um Carnaval. Numa mesma praia crianças que sabem cuidar do olhar curioso sem invadir um espaço que não é delas. Contra um adulto que ensina seu filho que marretadas na casa dos outros é ok. Sob o mesmo sol, a mesma praia, o mesmo mar. Mas folias completamente diferentes. Tem um ditado que diz que se os dois não estão rindo é porque não tem graça. Cabe aqui perfeitamente. Cabe também naquelas situações que uma criança atazana a outra, ou tira sarro, faz piada sem graça. Tem alguém rindo além de você? Não? Porque não teve graça. E daí precisa de respeito. O que às vezes só na marretada pra ensinar.