Tem gente que conta os dias pras aulas recomeçarem e acabar com a angústia “do que fazer com as crianças nas férias”. Mas tem gente que aproveita até os últimos dias pra fazer coisas bacanas que não fazem na vida louca do cotidiano. Férias é aquela hora boa de pensar programas e viagens fora da caixinha. Fora do lugar comum. E como bem disse o professor Mário Sérgio Cortella outro dia, na CBN, “criança tem direito a férias”. “É importante que a criança entenda que o período que ela pára a escola, não é um período de desocupação. É um período sem atividade escolar, mas ela tem que sentir o momento das férias como algo diferente pra melhor, como os adultos”.

Isso não significa que é preciso encher o dia da criança nas férias e se matar pensando em programas pra fazer. Até porque muitas vezes a vida dos pais continua na ativa. Mas é preciso ter um “projeto férias” e cabe muita ideia aqui. “É preciso que férias seja um ócio recreativo às crianças”, disse Cortella à CBN. E pensando exatamente nisso eu resolvi reunir aqui as dicas que o Instituto Alana preparou para as férias. Gosto bem das propostas deles, simplesmente porque gosto bem da concepção de criança que eles têm. E vale reforçar: as dicas aqui também são BEM boas pra finais de semana, feriados e quaisquer momentos com os filhos. Então vamos lá:

1- Nessas férias, muita natureza
Que tal propor às crianças atividades e passeios fora de casa? O contato com a natureza – seja em um passeio no parque, um mergulho no mar ou mesmo uma volta em alguma área verde do bairro – estimula todos os sentidos dos pequenos e contribui com seu desenvolvimento integral. Reúna os pequenos, familiares, vizinhos e amigos e organizar um piquenique ao ar livre recheado de brincadeiras como pular corda, amarelinha, esconde-esconde ou pega-pega. Pode ser no parque, na pracinha, ou mesmo no condomínio. Além da natureza, passeios por pontos históricos, centros culturais e bibliotecas da sua cidade, por exemplo, também são oportunidades para descobrir novos espaços públicos e ampliar sua relação com eles. O site do programa Criança e Natureza disponibiliza mais conteúdos sobre os benefícios da natureza. E não deixe de participar dos eventos da campanha #UmDiaNoParque no dia 21 de julho! São passeios, trilhas, exposições e palestras em diversos parques no Brasil inteiro.

2- Brincar, brincar e brincar
Correr, subir em árvores, pular em poças de água, são atividades importantes para os pequenos e pequenas. Deixá-las brincar livremente – sem direcionamento dos adultos – além de fundamental para o seu desenvolvimento integral, estimula a imaginação infantil. Quantas vezes você notou que seu filho ou filha transformou um objeto em outro, totalmente diferente? Um graveto pode virar uma varinha mágica ou a poça d’água um rio para um barquinho de papel, por exemplo. No site do Território do Brincar há diversas brincadeiras inspiradoras de diferentes regiões do Brasil.

3- Trocar brinquedos é (muito!) mais legal do que comprar
Já pensou em organizar uma Feira de Troca de Brinquedos? Criada pelo programa Criança e Consumo, a atividade é uma maneira de fomentar a reflexão sobre os apelos ao consumismo na infância, além de incentivar que as crianças interajam entre si, a partir das trocas de brinquedos. AFeira é uma alternativa sustentável de lazer e promove colaboração, socialização e criatividade entre a criançada, ao estimular que elas deem novos significados aos seus brinquedos. Além das trocas, esses encontros apresentam novos hábitos e é possível ensinar que trocar pode ser muito mais divertido do que comprar. Veja dicas de como montar uma feira ou saber se há alguma programada em sua região aqui.

4- Organize uma minissessão de cinema em casa
Outra dica é organizar uma exibição especial de cinema em casa, por meio da plataforma Videocamp, que reúne centenas de filmes inspiradores gratuitos. Entre eles, estão opções de animações curtinhas para as crianças. Selecione dois ou três vídeos, assista junto e, na sequência, converse com os pequenos sobre o que vocês viram e aprenderam. Deixe à disposição lápis de cor e papéis, caso elas queiram escrever ou desenhar sobre a animação. Quinze minutos de cinema podem render horas de papo e lazer!

5- Brincar é assunto sério
Brincar é um assunto tão importante que é um direito da criança previsto no artigo 31 da Convenção sobre os Direitos da Criança, no artigo 16 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e no artigo 227 da Constituição Federal. O site do programa Prioridade Absoluta reúne informações sobre esse e outro direitos fundamentais de crianças e adolescentes. Deixar as crianças terem o próprio tempo, possibilita que elas também encontrem o espaço para o ócio, seja descansando, contemplando o espaço onde estão ou descobrindo com seus próprios recursos e ideias o que fazer. Essas oportunidades são muito importantes para o desenvolvimento infantil. Lembre-se que você não precisa entreter a criança o tempo todo e que, quando os momentos de tédio e ócio são preenchidos por tempo de tela passivo, a criança está perdendo a chance de lidar com seus pensamentos e usufruir da sua própria companhia.

6 – Acampar
Desafios, aventuras e descobertas: essa é a combinação boa para as crianças nas férias. O programa Criança e Natureza lançou, gratuitamente, o guia “Acampando com Crianças: acampar é viver uma aventura, tendo apenas a natureza e uns aos outros”. O lançamento coincide com o início da campanha #umdianoparque, uma iniciativa voltada para a promoção, conhecimento e valorização das Unidades de Conservação brasileiras. A ideia é incentivar famílias a experimentarem uma maneira pouco frequente de incluir natureza na vida das crianças brasileiras, que é acampar em áreas naturais protegidas, como as Unidades de Conservação. Estudos recentes apontam que o contato diário com a natureza, especialmente por meio do livre brincar, ajudam na promoção da saúde física, mental e no desenvolvimento de habilidades cognitivas, sociais, motoras e emocionais das crianças. A publicação também ressalta a importância do desemparedamento da infância, para que meninos e meninas possam crescer saudáveis e desenvolver um vínculo afetivo com o mundo natural.