Mãe de dois e tia de uma adolescente, tive o privilégio de ser escolhida por eles para acompanhá-los ao Lolla. Sim, me desculpem, mas não é pra qualquer um este papel. Adolescentes não escolhem adultos assim do nada. Eles têm que te achar o máximo pra terem certeza que aquele adulto ao lado não é uma demonstração real do mico blaster do ano. Lá fui eu.

Não era o primeiro Lolla deles, confesso. Já estão na 5ª. Edição desde que eu e meu marido, Daniel, os introduzimos ao festival de música ainda crianças. Mas esse tinha uma diferença tremenda: a adolescência conquistada. Já não são mais pré-adolescentes. São adolescentes no auge dos seus 14 e 15 anos e que sabem que vão encontrar ali, no festival, os mais de 1000 “amigos-seguidores” que eles têm no Insta. Eles querem circular. Querem ver e serem vistos. É uma balada perfeita! Junta amigos e música, a linguagem oficial dos adolescentes.

Lá estava eu tendo a certeza que eles cresceram e, de quebra, eu envelheci. Não que isso tenha algum problema, porque não tem. Questão zero não fossem minhas pernas doloridas e meus pés cheios de bolha no dia seguinte. Mas, de qualquer forma, o se dar conta disso pelo crescimento dos filhos é o que muda tudo. Porque muda a relação. Muda a fala que a gente tem com eles.

Eles querem tua companhia até certo ponto. Tem limite que vem do lado de lá também. Tem uma relação agora que passa ser ainda mais de igual pra igual. Ainda que eles não tenham total autonomia, estão em pleno exercício dela. E se a gente não soltar a mão, não serão capazes de conquistá-la. Isso não significa fazer tudo sozinho, liberar geral. Dai seria liberdade – quando a gente faz o que quer. Eles precisam fazer aquilo que são capazes de fazer. Isso é autonomia. E precisam da gente pra conquistá-la.

É um exercício pra eles e pra gente. E precisa de percepção pura. Pra entender que eles não precisam mais da tua mão para passar no meio da multidão. Eles querem andar na frente. Não precisam – ou não querem – mais os teus milhões de avisos e alertas de “cuidado com isso” ou “aquilo”. Eles já sabem o que fazer. Não têm mais medo de se perder. Eles querem saber qual vai ser o ponto de encontro.

“Mãe, fica tranquila. Vai dar tudo certo. Eu te acho depois”. Poh!
Eu sei que a gente se acha, Pedro. “Qualquer coisa eu sei pegar o trem e voltar pra casa”. Ah tá! Hum… Os passos querem sempre esticar e a gente tá lá pra dizer “calma! O limite é até aqui dessa vez”. Autonomia assistida. “Vai lá que eu tô aqui”.

E lá foram eles: Pedro, 15, Lucas, 13 e Stella, minha sobrinha com 14 anos. Segundo dia de Lolla e eu achei que eles mereciam andar com as próprias pernas. “Podem ir, mas antes de escurecer a gente se encontra pro show”. Combinado! Ok, tá combinado.

6h30 eu estava lá no nosso ponto de encontro e lá vem eles animadíssimos, falando pelos cotovelos como a gente diria. Encontraram fulano, beltrano, viram o DJ XYZ, conseguiram chegar na grade de tão pertinho que estavam do palco e até comeram. Sim! Lembraram de comer. “Tia Carol, a Valen pode ver o show com a gente?”, me pergunta Stella. Claro que pode! Vamos?.

Twenty One Pilots. Lá estávamos nós. Aqui está bom, não acham?, pergunto. “Não, vamos descer mais”. “Vamos lá no meio”. Vamos. Lá fui eu agora com quatro adolescentes. Depois chegaram mais três amigos. “Eles vão ver o show com a gente tá”, me avisam. Claro! Como não? Afinal, o que seria de mim sem vocês no meio daquelas mais de 30mil pessoas no Lolla? Eu fui ao Lolla com três adolescentes e só posso é agradecer. Que vocês continuem a me chamar pra muitos outros shows com vocês. É um privilégio danado. Dá orgulho.

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