Escolas de Educação Infantil enfrentam rematrícula sob efeitos da pandemia

Carolina Delboni

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Escolas iniciam rematrícula de alunos e a tensão aumenta no setor que teme fechar 80% das portas em definitivo sob efeitos da pandemia

As famílias voltarão a matricular seus filhos na Educação Infantil? A pergunta gera medo e apreensão no setor que perdeu mais de 30% dos alunos durante a pandemia e que viram suas receitas despencarem 56%, segundo dados da Federação Nacional das Escolas Particulares (FENEP). As poucas escolas que sobreviveram, literalmente, começam a enviar comunicados às famílias informando sobre o processo de rematrícula.

Thais, Viviana, Renata, Cristiane, Priscila e Camila, em entrevista coletiva por vídeoconferência, disseram que não irão refazer as matrículas para 2021 até que haja vacina. “Por enquanto estou pagando a mensalidade, mas a rematrícula não faço enquanto as aulas presenciais não voltarem. Se não voltar o ano que vem, vai para a escola pública porque aqui aula online não funciona e devo contratar uma professora para vir em casa”, revela Cristiane.

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Magda Albuquerque, mãe de uma bebê de 4 meses, conta que ainda vai esperar pra ver como as coisas ficam até fevereiro, “porque tenho a possibilidade de ficar com ela em casa”. Possibilidade esta que está vinculada a Lei nº 12.796 que torna obrigatório a matrícula de crianças na Educação Básica apenas a partir dos 4 anos. Antes disso, é opcional.

Sala vazia à espera da retomada das atividades escolares

“A opção de ‘esperar’ serve apenas para as mães com crianças que ainda estão no pré”, fala Daiane Pereira, mãe de uma menina de 5 anos. “Aquelas que já iniciam o 1º. ano em diante não teremos muitas opções…Ou renovamos as matrículas ou teremos que pedir transferência para outra escola, caso da rede pública, por exemplo, e esperar o decorrer da pandemia”, pondera.

A não obrigatoriedade da Educação Infantil para crianças de zero a quatro anos, neste momento de pandemia, deixa as escolas ainda mais vulneráveis. O Semeei, sindicato que representa as escolas de Educação Infantil de São Paulo, prevê que 80% dos colégios particulares para essa faixa etária (dos 12 mil existentes no Estado) não consigam reabrir quando for autorizado o retorno presencial. “Elas não suportam cinco meses sem receita, são todas empresas pequenas, a minoria tem reserva”, diz o presidente do Semeei, Eliomar Rodrigues.

O País tem 32,8 mil escolas privadas de Educação Infantil, segundo dados do Censo Escolar, de 2018. O cenário é mais grave nas instituições para as crianças menores ainda, de 0 a 3 anos, e naquelas de periferia. A Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenep) diz temer que 80% das instituições privadas de Educação Infantil não consigam retomar e sejam forçadas a fechar as portas por conta da evasão causada pela pandemia.

Escola anuncia fechamento a comunidade por meio de cartaz na entrada

Edilaine Martins conta que não tirou o filho do Jardim justamente para garantir o andamento da escola e dos professores. “Sou autônoma, não tive auxílio do Governo, mas pedi ajuda divina para a equipe. A escola não faltou! Garantimos os salários e meu pequeno super evoluiu. Acabou dando certo”. A atitude de Edilaine não é única e nem isolada. Muitas famílias fizeram uma força tarefa para garantir salários aos professores e renda às escolas.

“A escola do meu filho está lutando para se manter, tentaram segurar o emprego dos funcionários, mas não deu e agora estão contando com o retorno para outubro. Para o ano que vem já falaram que não aumentarão as mensalidades, tudo na expectativa de não perder mais alunos”, conta Priscila Cavalcanti. “Temo sim pela segurança dos nossos filhos, mas entendo que o mundo já percebeu que teremos que conviver com o vírus por mais um tempo”.

Bruna conta que já fez a rematrícula. “Também não parei de pagar a escola este ano pensando nos professores e funcionários”. E se cabe no bolso das famílias esse, sem dúvida, seria o melhor dos mundos. “São muitas pessoas dependendo disso, até mesmo a continuidade da própria escola que é tão útil e necessária em nossas vidas”, pondera Bruna Giacometti.

Corredores vazios à espera da volta dos alunos para 2021

Marina Cunha, que também refez a matrícula do filho de 4 anos, reforça a importância. “A escola não tem só a função educativa de informação, mas é também importantíssima na construção de habilidades sociais e a Educação Infantil exerce papel primordial na formação global (exercícios físicos, coordenação motora, autoconfiança)”.

Entre todas as incertezas do ano e as projeções para 2021, ainda existe uma insegurança grande para a tomada de decisão. Famílias e escolas lidam com a escuridão e o desafio lançado à Educação Infantil brasileira. Sem apoio e subsídio de Governos, escolas lutam para sobreviver com o aporte financeiro dos próprios donos. Os que não conseguem, contam com as famílias. Mas ainda assim, 80% pode fechar as portas em definitivo ainda em 2020.

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