Pura verdade este título. Bebês são o melhor exemplo de empatia. Impossível olhar pra eles e não esboçar um sorriso. Impossível não esquecer, por alguns minutos, a chatice do mundo em volta. Bebês mobilizam sorrisos, memórias, infância, carinho e um outro tanto enorme de sensações e sentimentos nas pessoas. São fofos por natureza e sábia ela que os fez fofos. Deve ser arma de sobrevivência. São bonitinhos, a gente tem vontade de cuidar e eles recebem um carinho imenso de quem está por perto. Inteligência do ser humano, inteligência da natureza.

Tem um cientista biólogo que eu gosto muito chamado Fernando Reinach e num de seus livros, A Longa Marcha dos Grilos Canibais, ele desenvolve a teoria do fim e da sobrevivência das espécies. Ali, ele fala do ser humano e do cachorro como únicos a terem se adaptado as mudanças por sobrevivência. O meio em que viviam provocaram mudanças na forma e forçaram ambos a mudar comportamentos e se adaptarem as diferentes culturas que encontravam pela frente. E quando vamos estudar o desenvolvimento de bebês e crianças de zero a dois anos, a gente sempre se depara com as teorias de Vygotsky que fala do desenvolvimento humano interligado as relações sociais. Ou seja, toda e qualquer relação que eu estabeleço com o outro gera em mim algo que fará parte da minha constituição como ser. Wallon fala do resultado entre o genético e a influência do meio. Fala muito da afetividade e do alcance que isso tem no desenvolvimento.

E no meio de tanta teoria estão os bebês que têm no adulto ao seu redor um papel crucial de cuidado e desenvolvimento. Já é mais do que sabido da importância na primeira infância e não vem ao caso a gente ficar aqui reforçando pontos. Mas é sempre bom lembrar que a relação começa lá na gestação. Nas conversas com a barriga, na mão que faz carinho, na música que a gente coloca pro bebê ouvir. Numa pesquisa realizada pelo portal da Primeira Infância, 48% dos casais (menos da metade da população brasileira) diz que é importante dar carinho ao bebê pela barriga. E apenas 24% acham que se deve conversar com eles. Números baixos, mas que me fazem pensar o quanto isso faz parte de uma cultura ou o quanto está ligado a falta de informação (cultural de novo, já que educação faz parte).

Esperar e preparar a chegada do bebê é algo universal. Mas o como é de cada um. E que delicia poder assistir ao filme francês Babies e perceber como cada cultura cuida e trata o nascimento de uma maneira. A mãe de uma tribo africana tem rituais de carinho e pintura na barriga que depois a gente vê se repetir nos costumes da tribo. O filme continua com os bebês um pouco crescidos já e brincando, interagindo em seus espaços e, de novo, fica claro como cada um se desenvolve e se adapta conforme o meio e a família em que está. Lindo, delicado. Como um nascimento à vida. Uma forma sutil e curiosa de olhar a primeira infância e pensar que a forma como educamos estes bebês vai refletir nos adultos que eles serão. E a gente vê como cada cultura tem sua concepção de criança.

Muitas vezes, já pensando no adulto que eu quero que ele se torne, temos atitudes completamente descabidas aos bebês. Quem nunca falou que não podia por a mão na comida? Quem nunca falou para não por a mão de terra na boca? Quem nunca falou que não pode comer sujeira? E por que não pode? Pode! São bebês, são pequenos. Eles podem experimentar, podem sentir. Podem ser bebês porque ainda não deveriam ser educados para os adultos que queremos que sejam. O que não significa ensinar costumes e regras sociais. Significa apenas educar sabendo a diferença entre preparar um bebê para ser um adulto e educar um bebê para ser. Ser humano. Um eterno gracioso aprendizado.