Semana passada, por conta de um artigo ardido (ou sensato) que publiquei na coluna do BrasilPost sobre o lançamento no mercado de um cartão mesada para crianças (parceria ilustre da Visa com a Turma da Mônica), recebi o seguinte comentário que me fez pensar: “agora tudo é polêmica quando se fala de criança. Nada pode”. E de imediato pensei: putz o mundo tá chato pacas! Nada pode, tudo é moralmente proibido ou indevido. Pra tudo há uma crítica. Tudo vira debate. Todo mundo fala de tudo e de todos e que saco tudo isso, não é?

 

Mas meu papel aqui é por o dedo na ferida. E feridas que dizem respeito a infância porque é ai que eu especializei meu caminho no jornalismo. Por tanto, depois de pensar demais, eu respondo: sim! Tudo é polêmica. Porque nada mais hoje em dia pode ser por ser. Pode acontecer por acontecer. Os assuntos são debatidos constantemente por órgãos importantes no Brasil e no mundo. Como vamos ignorar? Precisamos questionar, precisamos colocar pais e famílias pra pensar, porque o mundo está pedindo para que paremos e pensemos. Então tá chato? Pode ser que sim. Tá uma mega milícia? Pode ser que sim também. Mas vamos ter que lidar com ela porque daqui não se anda mais pra trás.

 

A vida virou uma polêmica desde que a internet deu espaço as redes sociais e a mesma deu voz aos seres humanos. Coloque no Google a palavra blog e veja o que aparece: aproximadamente 4.510.000.000 resultados em 0,38 segundos de busca. Deu pra entender o tamanho do negócio? O tamanho da voz? Da polêmica? Pessoas pensam e expressam suas opiniões e isso pode incomodar. E temos uma tendência como ser humano de sempre achar que o outro está nos julgando, colocando o dedo na nossa cara e dizendo faça isso e não faça aquilo. Não. Muitas vezes as pessoas sugerem, dividem experiências e conhecimentos. Elas não impõe. Elas propõe. Propor sobre experiências reais porque aquilo que é concreto e verdadeiro me interessa mais do que o que é anunciado. E propor sobre patamares de conhecimento. É a prática e a teoria encontrando-se na vida moderna. E elas dão trabalho. Oh, se dão! Dão o que falar. Geram polêmica. Talvez porque estamos nos politizando. Nos conscientizando.

 

E questionar é preciso, causar polêmica é preciso. Colocar o dedo na ferida também. Porque a vida e a infância viraram um excesso. Talvez pelo excesso de acessos a que temos nesse mundão moderno em que vivemos. A frase é de um amigo redator e eu reproduzo aqui porque ela é boa demais! “Pra toda criança que tá se achando existe um par de pais perdidos e perdendo”.  A interpretação dela e o desenrolar rende mais um texto, mais um post. Mas fica bem claro que existem famílias (pode-se ampliar isso pra sociedade), perdidas. Perdidas na forma de educar, de conduzir, de falar, de pensar. E saímos perdendo. Perdemos a disputa com os filhos, perdemos a batalha pra comer melhor, perdemos o corpinho sarado, perdemos a sanidade mental. Perdemos o senso critico e damos o braço a torcer porque cansou. Tudo precisa ser debatido e cansa. Poxa, a vida tá puxada meu amigo. Já não basta o sufoco do dia a dia ainda vem um monte de gente dizer como devo fazer com meus filhos? Pois é… Mas tem tipo um outdoor lá fora dizendo “Oi! Infância! Gente, as crianças precisam de infância!”. E tem os jornalistas também, assim como eu, pra reforçar o coro e trazer tema por tema toda semana num post novo.

 

Porque vamos polemizar pra conscientizar e colocar mais gente pensante nesse mundo. Isso não significa apenas concordâncias. Isso significa equilíbrio e consciência. Numa tentativa de buscar o que de bom e saudável o mundo de antigamente tinha e que precisamos ter como base hoje. E o que o mundo moderno tem de bom a nos ensinar e a ser instituído como novo, como nova forma de ir e vir. Porque nem tudo que era de antigamente é bom, e nem tudo que é novo é bom. Cadê o senso crítico minha gente? Precisamos exercitar pra seguir adiante. E avante 😉