Sempre deles. As aulas nem bem começaram e as reclamações já circulam. Porque eles não param quietos. Porque eles não respeitam. Porque eles lutam. Porque eles fazem bagunça na aula. Porque eles atrapalham as meninas. Porque porque porque…. A lista é grande de reclamações, e já tem movimento na internet em defesa dos meninos. Uma mãe americana, Cristina Hoff Sommer, do American Enterprise Institute, lançou um vídeo no YouTube em que fala da perseguição aos meninos em sala de aula e desenvolve uma teoria que diz que, devido a isso, o desempenho deles é menor que o das meninas. Termina recomendando quatro passos para potencializar o aprendizado deles na escola. Coisas incríveis que só os americanos sabem fazer. Eu estaria mais preocupada em entender a causa e cuidar dos meninos do que descobrir os passos para a ascensão ao sucesso deles. Mas vale a pena assistir o vídeo. Ela levanta pontos interessantes, como desenvolver a sensibilidade para que eles criem histórias menos “agressivas” com piratas e lutas que nunca são premiadas (segundo ela).

 

E aí, claro, fiquei pensando… será que isso acontece, de fato? Existe uma perseguição? Ou eles realmente são mais bagunceiros e levados? Segundo uma pesquisa também americana, 70% dos meninos são/serão suspensos em algum momento escolar, contra 20% das meninas. Sou mãe de três meninos. E, sim, eles lutam, se agarram, se jogam contra as coisas. Sim, as brincadeiras são mais truculentas. Existe uma energia física que realmente as meninas não têm. Mas daí a achar que toda zona que acontece dentro de uma sala de aula é culpa dos meninos é demais. Porque as meninas sempre vão até a professora dizer “fulano está me enchendo”, “fulano não me deixa quieta”, “fulano está empurrando minha carteira”. E por que mesmo as professoras tendem a acreditar nas meninas? Por que tendem a dar a bronca nos meninos? Assumir que as meninas são mais frágeis e que não são capazes de provocar uma zona é tudo que o movimento feminista não quer nos dias de hoje. E está certo.

 

A explicação, para mim, está apenas numa repetição de padrão de um comportamento antigo, em que se assume que os meninos são bagunceiros e as meninas são santas. Mas fui conversar com um pediatra e uma professora para ver o que eles pensam e para nos ajudar a olhar para o que acontece dentro de sala de aula de forma diferente. Dr Leonardo Posternak, pediatra e presidente do Instituto da Família, ressalta que os meninos por sua corporalidade têm uma tendência a se movimentar mais e com maior intensidade. “As brincadeiras sempre estão perto da bagunça. Isso não significa que seja característica unívoca. Tem meninas que são muito bagunceiras e gostam de brincar com os meninos, porém elas têm em geral certa maternalidade”. Heloisa Portoalegre, orientadora educacional do Colégio Pentágono e psicóloga, afirma que os meninos são realmente mais bagunceiros que as meninas e que o comportamento deles é mais visível porque usam o corpo. Bingo! Aqui temos uma dica importante. Meninos bagunçam usando o corpo. Meninas bagunçam na fala, em grande maioria na futricagem.

 

“As meninas são, na sua maioria, discretas em seus movimentos, mas sua atividade também é intensa, competem, mas de forma mais velada”, explica Heloisa. “O formato de nosso sistema escolar favorece um julgamento positivo em relação às meninas, pois elas têm mais controle sobre os movimentos corporais, são dedicadas nas tarefas, mantêm um nível maior de atenção. Esse modo de agir atende às exigências da postura adequada de um bom estudante. Sendo assim, elas parecem mais bem comportadas aos olhos da escola”, finaliza.

 

A americana Cristina Hoff levanta esse ponto também e atribui a isso a falta de espaços e atividades na escola para que os meninos possam extravasar essa energia física. Oferecer oportunidades para que essa energia seja canalizada de forma positiva é uma alternativa relevante. Dr. Leonardo também ressalta a importância de não fazer tanta diferença entre gêneros e cuidar de cada criança (menina ou menino) como um sujeito humano com suas peculiaridades. Mas também “não seria bom pensar em contratar mais professores homens?”, questiona. Mais um ponto bom a se pensar. 😉