O projeto Estação Sustentável arrecadou toneladas de resíduos sólidos em apenas 8 escolas públicas dos municípios de Linhares – ES e Fazenda Rio Grande – PR. A ação é voltada a educação ambiental e alunos e professores

O lixo é um problema – aparentemente – invisível ao mundo. Mas não há tanto mundo para tanto lixo. É preciso falar sobre ele e mais, se responsabilizar. Pensar e dar destino correto a 1.3 bilhão de toneladas de lixo que são gerados pela humanidade é algo complexo, mas necessário. Você sabe para onde vão as embalagens plásticas que você descarta? E os papéis que você põe no lixo? Apesar de, ao jogar no lixo, as pessoas terem a sensação de que “aquilo” não existe mais, não é bem assim.

De acordo com o estudo da ABRELPE (Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais), o brasileiro volta a gerar mais lixo e aumenta a destinação inadequada de resíduos no país. Cada pessoa gerou 378kg de resíduos em 2017; e o volume de lixo depositado em lixões seria o suficiente para encher 160 estádios de futebol do tamanho do Maracanã. E a geração total de resíduos sólidos urbanos (RSU) no Brasil em 2017 foi de 78,4 milhões de toneladas. Os números são tão grandes que a gente perde a dimensão do que eles significam. Mas é muito! Já parou para pensar?

700 alunos sim. Cinco escolas de Linhares, no Espírito Santo, recolheram 1,8 toneladas enquanto outras três de Fazenda Rio Grande, no Paraná, registraram 1,7 tonelada. A iniciativa faz parte do projeto Estação Sustentável que acontece anualmente em diferentes cidades do Brasil. Além de recolher materiais e destiná-los a reciclagem, a ação, voltada para educação ambiental, forma professores e apresenta aos alunos conceitos básicos como sustentabilidade.

descrições do programa de sustentabilidade na parede de uma escola municipal

descrições do programa de sustentabilidade na parede de uma escola municipal

Alinhada à Política Nacional de Resíduos Sólidos e à luz dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, divulgados pela ONU, o projeto, criado em 2011, começou como uma coleta de resíduos nas praias capixabas. Com o passar dos anos, ganhou um caráter mais educacional. Hoje o Estação Sustentável atua nas escolas em duas frentes: com uma super aula, cujo objetivo é proporcionar vivências e experiências para o fortalecimento de propriedades de sociabilização, inclusão e conscientização das crianças, e como torneio de coleta seletiva, que, em parceria com a Secretaria do Meio Ambiente e Associações de Catadores, coleta, separa e destina os resíduos sólidos ao lugares próprios. Movimento propício em tempos de #fridayforfuture

Para desenvolverem as atividades, os professores passam por um processo de formação com aulas que apresentam as diretrizes estabelecidas pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), contextualiza sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e discutem as habilidades e competências que contribuem para o desenvolvimento de práticas que impactem, positivamente, no desempenho escolar. Fora isso, as escolas que participam do projeto recebem Kit Sustentável – com livros, jogos e cartilhas desenvolvidas pelo MEC e pela UNESCO – para estimular as mais diversas formas de ensino e aprendizagem para a sustentabilidade.

criança faz atividade sobre educação ambiental

criança faz atividade sobre educação ambiental

E o resultado não poderia ser mais lindo e transformador. A professora Fabiana Machado, educadora do 5ª. da EMEIF Arnaldo Busato (Fazenda Rio Grande/ PR), conta como o projeto tem contribuído também na casa das crianças. “Percebemos que várias crianças relataram que atitudes como separar os resíduos corretamente em suas casas estão acontecendo, criando momentos de reflexão e ação diante das famílias, destacando a importância do reutilizar, reciclar, reduzir e repensar”, revela.

“Eu percebo uma forma de incentivar a gente a cuidar do nosso planeta. Ensina a gente a dar o destino correto aos resíduos”, conta Maria Helena Fernandes, aluna do 5º ano da EMEIF Arnaldo Busato (Fazenda Rio Grande/ PR). “Um exemplo é a nossa horta que usa lixo orgânico gerado em nossa escola. Se todos fizerem a sua parte, teremos um mundo muito melhor!”.

Maria Helena tem razão. Se cada um fizer aquele pouquinho que tanto se fala, teremos um montão no final das contas. Veja as 3,5 toneladas de lixo que eles já descartaram de forma correta e sustentável. Às vezes, é preciso muito menos do que se imagina. Se cada um separar o lixo em casa, reciclar corretamente, usar pequenas composteiras para o lixo orgânico e procurar re-usos para objetos que seriam descartados, o mundo seria mais limpo.

Quem não lembra da frase do francês Lavoisier de que “na natureza nada se cria, se perde, tudo se transforma”? Tudo bem que ele falava de um processo de combustão, mas por trás tinha um princípio de conservação de massas. E o que isso tem com a reciclagem de lixo? O lixo é vivo. E ele pode ser muitas coisas. Pode ser a arte do Vik Muniz, pode ser o Carnaval do Joãozinho Trinta, podem ser roupas em que a moda faz uso de tecidos descartados, e pode ser a gastronomia que tem adubado hortas com lixo orgânico.

Adolescentes observam a horta da escola, após atividade de plantio

Adolescentes observam a horta da escola, após atividade de plantio

O lixo é vivo. E só vai haver mais beleza neste mundo, quando houver menos lixo morto no planeta. Somos parte deste ciclo. Somos responsáveis por cada saquinho que retiramos do lixo, damos um nó e colocamos na rua para o lixeiro levar. Repensar nas soluções é um grande começo.

#fridayforfuture