Após o jogo do Brasil contra o Chile, houve um verdadeiro massacre do jovem capitão brasileiro Thiago Silva sobre o modelo de liderança dele ao observarem o zagueiro em um momento de isolamento e introspecção- quase que em estado de meditação e pedindo aos Céus força e luz para aquele momento decisivo.

Muitos o consideraram fraco por não estar com os outros jogadores emanando energia com discursos eloquentes e inflamados. Eu já vejo o episódio de forma diferente e sem esse estigma.

Vivemos em uma sociedade de estereótipos e modelos pré concebidos de perfil de liderança. Para alguns, ser líder é ser extrovertido, comunicativo, enérgico, inflexível, um verdadeiro dragão. Líder que é líder é agressivo e jamais demonstra sinais de “fraqueza” na opinião de muitos.

Observo, na atualidade, muitas mulheres inteligentes e competentes tentando copiar esses padrões masculinos de liderança e se tornando excessivamente rígidas e implacáveis em suas vidas profissionais- uma transformação que as descaracteriza e causa muito sofrimento. Algumas, por pressões do meio corporativo, abrem mão até de sua intuição, sensibilidade e criatividade que as diferenciariam como líderes e se arrependem no futuro. Outra capacidade ignorada é a capacidade do líder demonstrar que é um ser humano que tem suas fragilidades como qualquer outro de forma autêntica e sem negações insensatas, defensivas e hipócritas aos seus comandados. O sofrimento para quem transgride seus valores e princípios é intenso, um grande nível de estresse observado em várias executivas de ponta.

Em uma Copa do Mundo, de forma diferente, há um propósito de defesa da honra como se fosse uma batalha patriótica em uma Guerra, envolve o peso de uma nação fanática e apaixonada. Trata-se de uma enorme pressão e responsabilidade, independente da experiência e sucesso profissional de cada jogador. Todos nós vivemos sob intensa pressão e cobrança no mundo capitalista competitivo e precisamos saber flexibilizar nossas análises psicológicas que podem ir muito além de certas posturas e demonstrações comportamentais aparentemente atribuídas a perdedores ou fracassados. A expressão corporal e facial são importantes, mas não podem levar a reducionismos em algumas análises sobre o mundo interno das pessoas e suas reais potencialidades.

A maior prova de liderança que o Thiago Silva demonstra é no quesito apoio e respeito por parte do grupo de jogadores e Comissão Técnica da Seleção Brasileira, tem capacidade de agregar e de não ser centralizador. Por lá, ele tem sido muito elogiado por sua postura e comportamento de líder, independente daquele momento específico que antecedeu a cobrança de pênaltis contra o Chile.

Acredito que não seja pecado para qualquer mortal ter momentos como aquele apresentado pelo nosso “Capita” Thiago Silva, muito julgado e hostilizado por torcedores e imprensa. Ninguém conhece o perfil psicológico desse rapaz que foi capaz de superar grandes adversidades e traumas em sua vida pessoal para ser o melhor zagueiro do mundo. De fora, é fácil julgar. Nossa sociedade precisa aprender a refletir sobre novos modelos de liderança que vão muito além das aparências e padrões antigos.