Recentemente, Kylie Jenner desabafou nos seus stories sobre o pós parto de seu segundo filho. A empresária abriu o coração para mais de 300 milhões de seguidores no Instagram. Na ocasião, ela disse o seguinte:

“Só quero dizer às mães no pós-parto que não tem sido fácil, é muito difícil. Essa experiência para mim tem sido particularmente diferente do que ocorreu com a primeira filha. Não me sinto bem fisica, mental e espiritualmente. É simplesmente tudo muito louco”. Ela até citou que parou com drogas, que adota na atualidade um estilo de vida saudável. Quis dessa forma ajudar a milhões de mulheres que sofrem caladas e oprimidas com a depressão pós-parto. Reina a ditadura da felicidade nesse momento.

Sentimentos ambivalentes e medo são frequentes no pós-parto. A angústia implacável que atinge muitas mulheres no período é sufocada por uma série de desinformações, rótulos e preconceitos.

Cerca de 1 em cada 5 mulheres sofre de depressão pós-parto e em 60% dos casos o quadro se inicia já durante a gestação. Há vários gatilhos estressores que podem desencadear a depressão pós-parto: gravidez não desejada ou não planejada, baixo status sócio-econômico, violência física ou psicológica, insônia no pós-parto, mudança de rotina aliada à falta de um suporte neste período. Há também fatores biológicos, algumas mulheres são mais sensíveis às oscilações hormonais decorrentes do nascimento do bebê. Na gravidez, os níveis de estrogênio e progesterona aumentam muito e com o parto esse decréscimo rápido e abrupto dos níveis hormonais pode desencadear depressão em algumas delas.

Há uma série de revivências traumáticas durante o periodo perinatal que envolve gravidez e pós-parto. Algumas ressignificações devem e podem ser realizadas porque a morte e o nascimento convivem lado a lado nesse ciclo de vida da mulher. Nem sempre as condições da gravidez e do próprio parto ocorrem de forma positiva e de acordo com as expectativas das mulheres. O processo de identificação e vínculo da mãe com o bebê pode ser gradual em muitas mulheres que até se sentem culpadas por esse sentimento de indiferença ou afastamento afetivo inicial. O medo de críticas ou cobranças de amigos e familiares é assustador para algumas dessas mulheres, algumas submetidas a rotinas estressantes de visitas inconvenientes de parentes que não se mancam em determinadas situações e atrapalham a rotina e a organização da puérpera.

Quadros leves podem ser resolvidos com o estabelecimento de uma rede de suporte construtivo dentro de casa, além de psicoterapia e gerenciamento do nivel de estresse. Mas quando a depressão é moderada e grave é necessário o tratamento farmacológico que deve ser orientado pelo psiquiatra que é o especialista correto para tratar depressão pós-parto. A pergunta recorrente é se o medicamento antidepressivo não irá prejudicar o bebê na amamentação, mas hoje temos medicamentos que se bem orientados podem e devem ser utilizados pelas mamães. Evitar o tratamento nesses casos é uma negligência médica que deve ser combatida porque 20% das mulheres com depressão pós-parto podem cometer o suicídio.