Toda vez que um crime chocante atinge a nossa sociedade é comum a presença de pessoas questionando a relação entre doença mental e violência. Isso pode ser muito prejudicial devido ao sofrimento e preconceito que portadores e familiares de transtornos mentais enfrentam.

A esquizofrenia é uma doença mental que atinge cerca de 1% da população mundial e estima-se que no Brasil atinja 2,5 milhões de pessoas. Costuma ter início na adolescência (em alguns casos na infância) e o início dificilmente ocorre após os 30 anos de idade. A hereditariedade pode ser um fator de risco maior, assim como o uso de drogas como a maconha. Há vários trabalhos científicos que demonstram uma chance aumentada de esquizofrenia em até dez vezes entre usuários de maconha que possuem genes predisponentes ao transtorno.

Geralmente, a esquizofrenia começa a partir de alterações comportamentais na adolescência. É comum o jovem se isolar socialmente, ficar desconfiado e com medos infundados a respeito da realidade que o cerca. Concomitantemente, pode haver prejuízos na funcionalidade do jovem nos diversos níveis de atuação.

Os sintomas positivos conhecidos como delirios e alucinações (percepções táteis, visuais ou auditivas na ausência dos respectivos estímulos) são os mais preocupantes para todos. Durante os conhecidos “surtos psicóticos” as pessoas têm alterações perceptíveis de juízo e crítica a respeito da realidade que as cercam. O discurso geralmente é desconexo e confuso, além de difícil entendimento do significado de um determinado pensamento ou idéia. Alguns pacientes podem apresentar a catatonia (imobilidade motora, atividade motora excessiva e até mutismo) ou mesmo o embotamento afetivo onde o paciente não tem a minima expressão emocional.

Tanto mutações genéticas herdadas quanto mutações genéticas não herdadas pordem causar a esquizofrenia ao interferirem no desenvolvimento cerebral, especificamente na plasticidade sináptica (capacidade que o cérebro tem em se remodelar e estabelecer novas conexões). Tais mutações podem interferir na força das ligações entre os neurônios (células nervosas). Há determinados tipos de mutações que podem estar presentes tanto na predisposição à esquizofrenia quanto ao autismo e essa é uma área de muito interesse na neurociência atual.

Como em toda doença crônica, o grande problema é a baixa aderência ao tratamento. É comum os pacientes abandonarem o tratamento, fumarem excessivamente (o que pode diminuir o efeito do medicamento antipsicótico) ou usarem concomitantemente drogas como álcool e maconha que pioram o curso da doença levando a surtos psicóticos frequentes.

Pacientes esquizofrênicos em tratamentos regulares podem ter uma vida bem ajustada do ponto de vista psicossocial, familiar e até profissional. Hoje dispomos de antipsicóticos eficazes e com bom perfil de efeitos colaterais distribuídos pelo SUS. Há diferentes tipos e graus de esquizofrenia e cada caso deve ser analisado individualmente- sendo importantes o diagnóstico e o tratamento precoces. O paciente esquizofrênico em tratamento correto, ,não é mais ou menos violento ou improdutivo do que qualquer pessoa da sociedade e tal informação precisa ser do conhecimento de todos para que eles não sejam estigmatizados.