A sabedoria convencional americana sobre perda de peso é simples: um déficit calórico é tudo o que é necessário para diminuir o excesso de peso, e moderar o consumo futuro de calorias é tudo o que é necessário para mantê-lo. Para os adeptos da ideia, a infinita complexidade da biologia humana funciona como um grande mealheiro nutricional. Qualquer um que ganhe muito peso ou perca peso e o consiga de volta simplesmente não conseguiu equilibrar o talão de cheques calórico, que pode ser corrigido renegando alimentos gordurosos ou carboidratos.

Os endocrinologistas sabem há décadas que a ciência do peso é muito mais complicada do que os déficits calóricos e os gastos com energia. E em 2016, a inconstante complexidade do peso ganhou ampla atenção nacional. Em um estudo com ex-participantes de uma temporada do reality show de perda de peso, The Biggest Loser, os cientistas descobriram que, anos depois, os participantes não apenas recuperaram muito ou todo o peso perdido no programa, mas também tiveram metabolismos muito mais fracos do que a maioria das pessoas seu tamanho. Os corpos dos competidores lutaram durante anos para recuperar o peso, contrariando os esforços e desejos dos competidores. Ninguém sabia ao certo por quê.

Juntamente com uma equipe de pesquisadores, Ann Marie Schmidt, endocrinologista da Escola de Medicina da Universidade de Nova York, tem desvendado o mistério. Em um novo estudo publicado hoje, Schmidt e sua equipe descobriram um mecanismo molecular que controla o ganho e a perda de peso em camundongos: uma proteína que inibe a capacidade dos animais de queimar gordura em momentos de estresse, incluindo dietas ou excessos. Essa descoberta pode ser a chave para entender por que é tão difícil para os seres humanos perder peso, e ainda mais difícil mantê-la desativada.

Não por acaso muitas pessoas em momentos de estresse relatam-me seus enormes sofrimentos e dificuldades para perder peso justamente nesses períodos. Esse estudo abre uma nova perspectiva dentro da medicina retirando um peso das costas de muitos obesos ainda discriminados e estigmatizados socialmente.

Fonte: https://www.theatlantic.com/health/archive/2019/07/weight-loss-rage-proteins/594073/