A organização mundial de saúde relata que, nos ultimos 100 anos, muitos avanços melhoraram significativamente a saúde da mulher. Porém, no Brasil e no mundo, durante muitos anos, a atenção à mulher, no contexto das políticas públicas, foi relegada ao binômio materno-infantil.

A partir do momento em que os estudos epidemiológicos sobre mortalidade perinatal e infantil, começaram a mostrar que esta abordagem não era mais adequada, iniciaram-se os esforços para uma visão mais global da saúde feminina, a fim de melhorar tais parâmetros.

Desta forma, no Brasil, a partir da década de 80, formulou-se as propostas de atenção integral a saúde da mulher, nas quais houve pela primeira vez a inclusão de serviços públicos de contracepção e a incorporação da própria mulher como sujeito ativo no cuidado da sua saúde.

Essa visão holística da mulher, entendendo-a como um ser bio-psico-sócio-espiritual, é de extrema importância para a abordagem da suas doenças clínicas, pois sabe-se que estas podem se manifestar com sintomas psiquiátricos em seu curso. Por exemplo, uma paciente com lúpus eritematoso sistêmico poderá abrir o quadro com uma psicose lúpica, assim como uma doente com distúrbios hidroeletrolíticos poderá apresentar confusão mental.

Estima-se que 27% a 48% dos atendimentos em clínica médica, realizados em atenção primária, envolvem cuidados relacionados aos transtornos mentais, sendo a maioria destes casos de gravidade equivalente a encontrada em ambulatórios específicos de psiquiatria. Em estudo populacional brasileiro (realizado nas cidades de São Paulo, Porto Alegre e Brasília) identificou-se que cerca de 20% da população apresenta algum problema de saúde mental digno de atendimento em atenção primária: transtornos ansiosos 18%, dependência ao álcool 8%, e transtornos depressivos de 3% (em São Paulo) a 10% (em Brasília e Porto Alegre). O estudo mostra que os transtornos ansiosos, somatoformes e depressivos são mais prevalentes no sexo feminino.

O transtorno psiquiátrico, na clínica médica, pode ser identificado como primário ou secundário à doença física. Como primário, podem-se considerar os transtornos mentais não relacionados com a doença física em si – anterior ou coexistente ao problema orgânico. Já no caso do transtorno mental ser secundário à doença orgânica, temos duas possibilidades: a doença mental ser relacionada com a doença orgânica ou com o tratamento da mesma.

Portanto, é muito importante que cada vez mais os “médicos de família” ou clínicos gerais do SUS estejam preparados para um bom e precoce diagnóstico psiquiátrico. Pela maior prevalência, incidência e gravidade dos transtornos mentais femininos isso efetivamente poderá melhorar e salvar vidas.

Feliz Dia Internacional da Mulher, com mais saúde global para todas vocês!!!!

Fonte: Site Psiquiatria da Mulher– Dr Joel Rennó Jr- www.psiquiatriadamulher.com.br