Embora homens e mulheres sofram muito com o estresse crônico, alguns estudos da área de ciência básica têm demonstrado diferenças significativas na resposta ao estresse.

As diferenças de gênero na suscetibilidade ao estresse foram pesquisadas utilizando técnicas epigenéticas.

Do que se trata a tal epigenética? Todas as nossas células contêm os mesmos genes. Algumas funções de determinados genes podem ser desativadas em determinados locais. Por exemplo: uma pessoa tem no coração células com genes que produzem proteína responsável pela formação de espermatozóides. Como essa função não tem o menor sentido nessa região, tal gene é desativado. Vários fatores ambientais como estresse, poluição, alimentação, drogas podem provocar alterações das funções de determinados genes e isso pode ser transmitido para outras gerações.

Georgia Hodes, da Virgínia, EUA explica que a metilação do DNA em animais adultos contribui para uma vulnerabilidade ao estresse que é gênero-dependente. Camundongos de ambos os sexos foram expostos ao teste de estresse variável (VS) e depois tiveram seu comportamento examinado para determinar o nível de sensibilidade. No dia 6, os indivíduos do sexo feminino estavam mais suscetíveis do que os do sexo masculino. Só no dia 21 os camundongos do sexo masculino sucumbiram. Estudos de imunohistoquímica mostraram que as fêmeas tiveram alterações pré-sinápticas em circuitos específicos que poderiam explicar a suscetibilidade precoce ao estresse.

Também foram observadas diferenças entre os sexos nos padrões de ativação da transcrição em resposta ao teste de estresse variável de 6 e 21 dias. A manipulação da enzima DNA metiltransferase 3a (Dnmt3a) no núcleo acumbente revelou diferenças comportamentais de gênero na resposta ao teste de estresse variável. O aumento da expressão de Dnmt3a induz a suscetibilidade ao estresse em ambos os sexos. Removendo a Dnmt3a por excisão, alterou-se o transcriptoma feminino (conjunto completo de transcritos como RNA mensageiro, RNA ribossômico, RNA transportador do organismo) que leva em outras palavras à produção de diferentes proteínas pelos genes. Portanto, o transcriptoma é reflexo direto da expressão dos genes e uma vez alterado no sexo feminino pode levar a um padrão mais masculino promotor da maior resiliência ao estresse.

O mais animador nisso tudo é observar que também há padrões de gênero na ativação da transcrição gênica que ocorre em seres humanos com depressão. E isso pode implicar nas diferenças no curso da doença e até na resposta ao tratamento entre homens e mulheres.

Atualmente a Dra Hodes está realizando uma pesquisa em animais para verificar se o transcriptoma masculino pode ser modificado para um padrão mais feminino no dia 21, através da manipulação de Dnmt3a. Poderíamos dizer que ela está tentando descobrir se, no teste VS, um ‘homem’ pode reagir como uma ‘mulher’! Será?

Fonte: https://Brazil.progress.im