Nos dias atuais, muitos pais de adolescentes ficam preocupados com o tempo excessivo de seus filhos na Internet e se isso seria um vício perigoso, além daqueles habituais relatados por todos.

As pessoas com dependência de internet parecem estar em maior risco de comportamentos suicidas do que aqueles com uso saudável da internet, de acordo com uma meta-análise recém publicada no prestigiado Journal of Clinical Psychiatry.

Segundo Cheng, um dos autores desse importante  estudo,  os indivíduos com dependência da internet foram testados para o risco de suicídio, mesmo aqueles que não tinham depressão, já que outros fatores podem aumentar o risco de suicídio em pessoas com vício em internet”.

Embora o distúrbio do vício em internet não seja incluído como um diagnóstico formal no DSM-5 (Manual Diagnóstico dos Transtornos Mentais da Associação Americana de Psiquiatria), as conseqüências do uso patológico da internet continuam atraindo crescente atenção.  Atualmente, o transtorno de jogos na Internet – o uso persistente e recorrente da Internet para participar de jogos, levando a problemas ou distúrbios clinicamente significativos – é listado como uma condição para estudos adicionais no DSM-5. Vários estudos sugeriram que o vício em internet está associado a taxas mais altas de comportamentos suicidas, mas se esta associação é impulsionada por outros fatores, como depressão, ainda não está claro.

Para examinar a força da associação entre suicidalidade e dependência de internet, bem como a influência de outros fatores de risco de suicídio, Cheng e colegas realizaram uma revisão sistemática e meta-análise de estudos observacionais que investigaram a associação entre dependência de internet e suicidalidade. Um total de 23 estudos transversais (n = 270.596) e dois estudos prospectivos (n = 1.180) foram incluídos na análise.

Os autores descobriram que as taxas de prevalência de ideação suicida, planejamento e tentativas foram todas significativamente maiores nos participantes do estudo com dependência de internet do que nos controles (cerca de 3 vezes maior na média) . Quando os autores utilizaram apenas dados de estudos que ajustaram demografia e depressão, eles descobriram que as taxas de prevalência de tentativas e ideação, embora reduzidas, permaneceram significativamente mais altas nos participantes com dependência de internet do que nos controles.

Uma análise mais aprofundada “mostrou taxas mais altas de comportamentos suicidas em adolescentes comparados com adultos e também mostrou uma tendência de maior prevalência de ideação suicida em pessoas com transtorno de jogo na internet em comparação àqueles com vício em internet incluindo qualquer tipo de atividade na internet”, escreveram Cheng e seus colegas.

Com essas informações em mãos o que os pais podem fazer de prático? Limitar o tempo de uso do computador ou celular de crianças e adolescentes com monitorização e controle constantes dos conteúdos acessados. Muitos acham que tal atitude é transgredir o direito de liberdade do filho, mas a verdade é que as pessoas estão pisando em um “terreno minado” e desconhecido sem nenhuma precaução e cuidado. E depois as surpresas dramáticas aparecem inesperadamente e agressivamente. Tudo em excesso prejudica!