Medo, estigma, depressão, ansiedade e transtorno de estresse pós-traumático seguiram grandes surtos de doenças infecciosas no início deste século, e os psiquiatras devem estar preparados para reações semelhantes à medida que o novo surto de coronavírus (COVID-19) se expande.

“Os médicos devem procurar populações vulneráveis, e isso inclui pacientes psiquiátricos, especialmente aqueles com transtornos de ansiedade ou doenças mentais graves”, disse Judith Bass, Ph.D., professora associada da Escola de Saúde Pública Johns Hopkins Bloomberg, à Psychiatric News.

Surtos de doenças infecciosas podem ter efeitos psicológicos a curto e longo prazo em pacientes, profissionais de saúde e comunidades vizinhas onde os surtos são relatados. Estudos de sobreviventes do surto de síndrome respiratória aguda grave (SARS) na Ásia e no Canadá em 2003 indicaram altas taxas de distúrbios psiquiátricos tanto na fase aguda da pandemia quanto em até quatro anos depois.

É essencial entender como um determinado paciente receberá mais informações e adaptará a comunicação e as intervenções usando uma abordagem centrada no paciente. Para promover o bem-estar dos pacientes durante o surto de coronavírus, os profissionais de saúde devem lembrar os pacientes para obter as informações mais recentes de fontes confiáveis, como os Centros de Controle e Prevenção de Doenças e a Organização Mundial da Saúde, além de limitar a exposição à cobertura da mídia.

Experiências anteriores com SARS e o vírus Ebola ajudaram hospitais nos Estados Unidos a se prepararem para surtos de doenças. Até o momento, o coronavírus parece ter um risco maior de infecção associado a uma taxa de mortalidade muito menor do que a SARS e o vírus Ebola.

Mesmo que os profissionais de saúde trabalhem com pacientes que podem estar experimentando vários níveis de sofrimento emocional durante o surto de coronavírus, é importante que tomem as devidas providências para cuidar de si mesmos, incluindo cuidar de suas próprias necessidades básicas, monitorar-se quanto a reações de estresse e fazer check-in com membros da família.  Educar os pacientes sobre medidas de proteção pessoal, como lavar as mãos, para minimizar a exposição a doenças e ajudá-los a antecipar, normalizar e gerenciar o estresse diante da incerteza é fundamental.

FONTE: Blog da APA (Associação Psiquiátrica Americana)-  “Coronavírus e saúde mental: cuidando de nós mesmos durante surtos de doenças infecciosas”, de Morganstein.C