O estresse é uma carga importante na vida de muitas pessoas que afeta sua saúde e bem-estar. Uma pesquisa recente realizada pela Universidade de Bristol descobriu que genes no cérebro com uma importante função na adaptação comportamental a desafios estressantes, são controlados por mecanismos epigenéticos.

Sabe-se que a adaptação ao estresse requer modificações na expressão dos chamados genes de expressão rápida no cérebro, particularmente no hipocampo, uma região do cérebro que tem um papel crucial na aprendizagem e na memória.

No entanto, até agora não estavam claros os mecanismos moleculares subjacentes que controlam a expressão destes genes. A investigação da Universidade de Bristol, em colaboração com King’s College London e a Universidade de Exeter, financiada pela BBSRC, revelou que os eventos estressantes causam uma modificação epigenética dentro dos genes dentro de expressão imediata em neurónios do hipocampo.

A modificação epigenética que se examinou foi a metilação do DNA que atua suprimindo a expressão dos genes. Os resultados, publicados na revista internacional Proceedings of National Academy of Sciences (PNAS), mostraram que o estresse provoca demetilação do DNA nos genes de expressão imediata libertando desta forma a expressão reprimida destes genes no hipocampo, facilitando assim a manifestação de respostas comportamentais adaptativas.

Os investigadores descobriram que as respostas genéticas de comportamento ao estresse dependem da concentração do composto SAM (s-adenosil metionina). A SAM é um chamado doador de metilos, necessários para a enzima que metila o DNA. Quando aumentam os níveis da SAM, um evento estressante não causa a demetilação do DNA, mas provoca um aumento da metilação do DNA nos genes de expressão imediata, que suprimem sua expressão e causam uma adaptação comportamental alterada.

Hans Reul, professor de neurociências da Faculdade de Ciências Médicas de Bristol, disse: “Em nossos estudos encontramos uma associação entre a SAM, um composto produzido pelo fígado, e a resposta cerebral relacionadas ao estresse, o que é importante para continuar com mais pesquisas.”

“Os distúrbios psiquiátricos relacionados ao estresse, como depressão maior, ansiedade e transtorno de estresse pós-traumático estão atualmente entre as doenças mais debilitantes conhecidas em seres humanos. Considera-se que a prevenção dos efeitos prejudiciais do estresse depende de um manejo e respostas comportamentais adaptativas efetivas prolongadas.”

Segundo os cientistas, esta nova investigação poderia levar ao desenvolvimento de novas intervenções farmacológicas e terapêuticas de outro tipo que promovem respostas comportamentais adequadas ao estresse e ajudam a tratar os distúrbios psiquiátricos desencadeados pelo estresse.

Referências:

Emily A. Saunderson, Helen Spiers, Karen R. Mifsud, Maria Gutierrez-Mecinas, Alexandra F. Trollope, Abeera Shaikh, Jonathan Mill, and Johannes M. H. M. Reul. Stress-induced gene expression and behavior are controlled by DNA methylation and methyl donor availability in the dentate gyrus. PNAS, April 2016 DOI: 10.1073/pnas.1524857113

Fonte: Science Daily