Pela 4a. Copa do Mundo consecutiva a seleção brasileira foi eliminada por uma seleção européia. E por que? Fruto do acaso?

Acompanho futebol há pelo menos mais de 40 anos. E o brasileiro se acostumou a ver a Seleção campeã do mundo sem que a CBD que depois se tornou CBF desenvolvesse um Projeto de reestruturação ou upgrade do futebol brasileiro. Como em outras áreas no Brasil, o futebol brasileiro parou no tempo em termos de projetos e muito envolvido com a corrupção de alguns de seus principais dirigentes.

Hoje nossos jovens agenciados por empresários ou agentes parasitas saem do Brasil cada vez mais precocemente, a troco de escambo, e já nas categorias de base, com 12 ou 13 anos de idade, deixam claro em seus dizeres mirins que o maior sonho é jogar na Europa, em um discurso automático e repetitivo. Não criam identidade com o clube de formação e muito menos raiz com o Brasil. Muitos inclusive fracassam ou demoram a se adaptar ao exterior justamente por falta de preparo educacional, disciplina tática, imaturidade e fragilidade psíquica. E todos só tratam tais garotos como mercadorias. O que nossas autoridades fazem de prático? Nada!

A CBF que comanda o futebol brasileiro, apesar dos últimos fracassos consecutivos em Copas do Mundo, não se mostra disposta a amplos projetos de reestruturação. Apesar das inúmeras comprovações de corrupções de ex dirigentes a concentração do poder continua nas mãos dos “Coronéis do Futebol” com a conivência da maioria dos grandes clubes brasileiros. Perdemos a oportunidade de criar uma Liga de Futebol independente da CBF e com pessoas idôneas que pudessem realmente revolucionar o modelo de gestão falido do nosso futebol brasileiro que perdura há várias décadas. Nossos clubes não se tornam empresas e isso só desnivela o futebol brasileiro em relação ao europeu. Enquanto isso, os clubes brasileiros em sua maioria estão endividados por dirigentes incompetentes, perdulários e até corruptos também.

Lembro-me do momento em que a CBF sem credibilidade após os 7X1 sofrido contra a Alemanha contratou o “salvador da pátria” o técnico Tite , sem dúvida competente,  para calar a boca de todos.  Seus resultados altamente positivos blindaram a CBF e nossa Seleção com esse comandante parecia invencível. Tudo foi esquecido de repente. O Tite resgatou temporariamente a autoestima dos nossos boleiros e de grande parte do torcedor brasileiro nas Eliminatórias e amistosos, com vitórias convincentes. Mas os talentos individuais seriam mais uma vez capazes de levar o falido futebol brasileiro a mais uma epopeia gloriosa de campeão do mundo? O “complexo de vira-lata”  entendido como a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo teria sido resolvido? O brasileiro parece ser um narciso às avessas, que cospe na própria imagem ou a arranha. Eis a verdade: não encontramos pretextos pessoais ou históricos para a autoestima. Metaforicamente ainda nos colocamos no papel de colonizados inclusive no orgulho nacional que é o futebol.

Por que o brasileiro se recusa a aprender com os erros próprios? Por que projetos pessoais se sobrepõem a projetos coletivos em nosso país? Como temos, infelizmente, no futebol e na política dirigentes incompetentes e corruptos cujo único objetivo é se locupletar das Instituições às quais deveriam servir com integridade.

Vimos nessa Copa astros brasileiros que brilham na Europa excessivamente inseguros e nervosos, desconcentrados, desorganizados e fadados ao fracasso em mais uma Copa do Mundo. E isso mesmo quando o nosso técnico Tite é um ótimo gestor de grupo com grande preocupação envolvendo os aspectos psicológicos do grupo.

Faltam no Brasil projetos educacionais e psicológicos consistentes nas categorias de base dos diversos clubes brasileiros. E a estrutura da maioria dos clubes brasileiros, apesar da milionária CBF, permanece ridícula. O único objetivo dos clubes brasileiros é o lucro com as vendas de nossas jóias mesmo que ainda não lapidadas.

Após o vexame da Copa de 2014 no Brasil esperávamos uma ampla reestruturação envolvendo o futebol brasileiro porém nada foi feito de forma abrangente. E continuamos, para variar, dependendo dos deuses para nos brindar com grandes talentos individuais forjados no Brasil…Só que mais uma vez o improviso não deu certo. Pobre e lesado futebol brasileiro!