Nos Estados Unidos, está se tornando mais comum que mulheres grávidas usem cannabis: entre 2002 e 2017, a prevalência de uso de cannabis aumentou de 3,4% para 7,0% entre mulheres grávidas e de 5,7% para 12,1% durante o primeiro trimestre , de acordo com um relatório publicado hoje no JAMA- Jornal da Associação Médica Americana. No Brasil, não é infrequente também grávidas usuárias de maconha e o mesmo se repete em outros países.

Estas e outras descobertas, baseadas nas respostas das mulheres à Pesquisa Nacional sobre Uso de Drogas e Saúde (NSDUH), destacam a importância da triagem e das intervenções para o uso de cannabis entre todas as mulheres grávidas. Poucos obstetras perguntam sobre tal importante questão.

Como parte do NSDUH, os entrevistadores perguntaram às mulheres sobre seu estado de gravidez; se elas usaram cannabis no mês passado; e, em caso afirmativo, com que frequência elas usaram cannabis no último mês (o uso diário / quase diário foi definido como 20 ou mais dias de uso no último mês). A partir de 2013, as entrevistadas que relataram uso de maconha no último ano e no último mês também foram questionadas se algum uso de cannabis foi recomendado por um profissional de saúde. Aquelas que responderam não foram categorizadas como tendo “uso não-medicinal de cannabis”.

Foram analisados dados coletados de 467,1 mil pessoas no total entre 2002 e 2017. Durante esse período, a prevalência ajustada de uso de maconha diária / quase diária aumentou de 0,9% para 3,4% entre mulheres grávidas, incluindo de 1,8% a 5,3% durante o primeiro trimestre, de 0,6% para 2,5% durante o segundo trimestre, e de 0,5% para 2,5% durante o terceiro trimestre. A maioria das mulheres relatou que o uso de cannabis não foi recomendado por um profissional de saúde: a prevalência de uso de maconha medicinal no último mês entre mulheres grávidas de 12 a 44 anos não ultrapassou 0,68%. Portanto, o uso não medicinal da maconha é de longe o mais frequente nas grávidas.

Em um estudo separado, também publicado hoje no JAMA, pesquisadores relataram que mulheres que usam cannabis durante a gravidez podem ter maior probabilidade de ter filhos prematuros.

Foram examinados dados coletados de 661.617 mulheres com 15 anos ou mais que tiveram um bebê em um hospital de Ontário entre abril de 2012 e dezembro de 2017. Corsi e seus colegas compararam informações sobre desfechos de nascimento de 5.639 mães que relataram o uso de cannabis durante a gravidez com 92.873 mães que relataram nenhum uso de cannabis.

Após o ajuste para variáveis ​​de confusão, Corsi e seus colegas descobriram que houve uma associação significativa entre o uso de maconha relatado na gravidez e parto prematuro, definido pelos autores como menos de 37 semanas de gestação.

Esses dois estudos enviam uma mensagem direta: o consumo de cannabis na gravidez é provavelmente inseguro; com uma prevalência crescente de uso (presumivelmente relacionada à crescente aceitação social e legalização em muitos estados americanos) e seu potencial de dano pode representar um problema de saúde pública.

Fonte: JAMA (Jornal da Associação Médica Americana)