Não é segredo que o fumo e o consumo excessivo de álcool prejudicam a saúde global. Agora, imagens de ressonância magnética e uma métrica de aprendizado de máquina mostram que esses maus hábitos também podem envelhecer prematuramente o cérebro, de acordo com um estudo publicado on-line em 30 de janeiro no Scientific Reports.

Pesquisadores da Universidade do Sul da Califórnia (USC) usaram dados estruturais de ressonância magnética de mais de 12.000 indivíduos para calcular a idade cerebral prevista – qual deveria ser a idade do cérebro com base nas medidas da morfologia cerebral – e comparada com a idade relativa do cérebro – se seus cérebros experimentaram um envelhecimento mais rápido ou mais lento em comparação com seus pares.

Eles descobriram que o consumo diário ou quase diário de tabaco e álcool envelhecia significativamente o cérebro de consumidores frequentes podendo em casos extremos talvez até acelerar processos demenciais.

“Nossas descobertas demonstraram ainda que, mesmo entre indivíduos cognitivamente normais, houve associação entre idade avançada do cérebro e função cognitiva declinada”, escreveu o autor sênior Arthur Toga, PhD, e colegas da Escola de Medicina Keck da USC e do Programa de Biologia Molecular e Computacional.

Estudos anteriores mostraram que o tabagismo intenso e o consumo de álcool estão entre os hábitos de estilo de vida que podem levar à atrofia acelerada nas regiões cerebrais associadas ao início precoce da doença de Alzheimer, bem como ao volume e densidade reduzidos de massa cinzenta nas regiões frontais,  lobo occipital e lobo temporal, que lidam com a função cognitiva e movimentos voluntários do corpo.

Até o momento, ainda não está claro como o consumo de tabaco e álcool está associado ao envelhecimento estrutural do cérebro, especialmente quando a morfologia de todas as regiões do cérebro é considerada.

Para explorar essa questão, Toga e colegas coletaram dados de 17.308 pessoas (idade média de 63,3 ± 7,4; faixa de 46,2 a 80,7) no Biobank do Reino Unido. Desses indivíduos, informações sobre o hábito de fumar estavam disponíveis para 11.651 pessoas (96%) e hábitos de consumo de álcool para 11.600 indivíduos (95%). Eles então usaram aleatoriamente 5.193 casos (30%) para treinar e os restantes 12.115 casos (70%) para avaliar e validar o modelo de aprendizado de máquina para calcular uma idade cerebral prevista e uma idade relativa do cérebro, com base em medidas de ressonância magnética.

Fumar um maço de cigarros por dia durante um ano inteiro foi associado a 0,03 anos de aumento da idade relativa do cérebro. Quanto aos bebedores excessivos, as pessoas que bebiam álcool na maioria dos dias ou todos os dias tinham uma idade cerebral relativa mais alta do que aquelas que bebiam com menos frequência ou nada. Cada grama adicional de álcool consumido por dia foi associado a 0,02 anos de aumento da idade cerebral relativa.

Embora a diferença relativa da idade cerebral entre fumantes e bebedores pesados ​​e pessoas que não compartilham os mesmos maus hábitos possa parecer pequena, ela foi estatisticamente significativa (p <0,001), concluíram os pesquisadores.

Portanto, apesar dos resultados terem fornecido informações úteis sobre como o envelhecimento cerebral está associado ao fumo e ao consumo de álcool, há a necessidade de estudos adicionais com amostras ainda maiores para fornecer uma imagem mais clara dos fatores associados ao envelhecimento cerebral. De qualquer forma, tais dados apresentados possuem extrema importância e espero que sirvam de incentivo para que as pessoas não fumem e bebam com moderação- além de terem alimentação saudável, prática regular de atividades físicas e recursos internos para gerenciamento do nível de estresse ao qual todos nós somos submetidos diariamente.

Fonte: www.nature.com/scienficreports