A DPP (depressão pós-parto) é uma doença mental que atinge mulheres que tiveram filhos recentemente, como o próprio nome faz referência, sustentada pelo excesso de tristeza, humor deprimido, alteração do apetite e sono, queda de concentração e falta de interesse em realizar as atividades diárias, principalmente as que envolvem o bebê.

No Brasil, uma em cada quatro parturientes apresenta os sintomas da depressão pós-parto, mais especificamente 26,3% delas. A pesquisadora Mariza Theme da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca, associada à Fundação Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro, chegou a essa conclusão há 5 anos. Foram entrevistadas 23.896 mães, entre os seis e dezoito meses após dar à luz, a pesquisa foi divulgada pela conceituada revista cientifica Journal of Affective Disorders (JAD) no ano de 2016.

Os dados mostram também que as principais vítimas são da cor parda e de classe média baixa e, que anteriormente já tiveram transtornos ou possuíram algum tipo de vício, como álcool e drogas. Além de mulheres que já trouxeram ao mundo muitos filhos e não planejavam mais engravidar.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a média de mães depressivas após o parto, em países de renda baixa, como o Brasil é de 19, 8%, porém, esse número foi ultrapassado.

Embora a doença apareça após o parto, metade das mulheres adquire o problema durante a gestação. Obstetras precisam priorizar a avaliação da saúde mental de suas pacientes durante as visitas dos exames de pré-natal. O subdiagnóstico ou ausência de diagnóstico faz parte da rotina.

Além de verificar o corpo da mãe e o desenvolvimento da criança dentro do útero, é preciso que avaliações emocionais e psicológicas sejam feitas, embora, ginecologistas e pediatras não sejam psicólogos, eles devem observar o comportamento da mulher no pré-parto, parto e pós-parto e em caso de necessidade encaminharem as pacientes aos psiquiatras.

A escala Edimburgo da depressão pós-parto foi usada na pesquisa da Fiocruz e consiste em dez perguntas, a partir das respostas descobre-se a possibilidade alta de existência da doença, mas não exatamente o seu grau.

É evidente que mães mais carentes de recursos econômicos são totalmente dependentes do SUS (Sistema Único de Saúde), no entanto, muitas vezes, o atendimento não proporciona toda a qualidade necessária.

Mulheres mais afetadas socioeconomicamente são as mais vulneráveis à depressão, a relação social, a ausência do pai e de demais familiares, além da vivencia em lugares hostis são as principais justificativas para esse fato.

Os períodos gestação e pós-parto trazem mudanças financeiras, psicossociais, neuroendócrinas e corporais, milhões de hormônios são alterados e a qualidade do tratamento que as mamães recebem nessas fases, tanto dos familiares quanto dos médicos são de extrema importância.

A depressão pós parto é decorrente de fatores biológicos e psicossociais, algumas mulheres são mais vulneráveis às oscilações dos níveis hormonais que ocorrem logo após o parto. Conflitos conjugais, condições adversas, gravidez não planejada, uso de álcool e cigarro e diabete na gestação, entre outras complicações funcionam como gatilhos estressores e podem provocar a doença.

Apesar de algumas melhorias, os órgãos públicos precisam avançar na qualidade do atendimento. São necessárias políticas públicas de saúde que realmente façam o diagnóstico precocemente, seja já durante a gravidez ou após o nascimento. É preciso dar mais atenção e recursos para a população sempre vítima de uma política excludente. Além de abalar a saúde da mãe, a depressão pós-parto pode atrapalhar o desenvolvimento psicomotor, neurocognitivo e afetivo do bebê. A ausência de comunicação e demonstração de afeto da mulher para com seu filho, pode transtorná-lo e trazer a ele inquietude, estranhamento, apatia e inibição ao longo do tempo.

Devido aos sintomas da DPP, a mamãe pode apresentar dificuldades na resposta às necessidades do neném, influenciando seu desenvolvimento emocional, cognitivo e social. Por este motivo, o olhar das pessoas que estão com a mulher no pós-parto precisa ser atento, de forma que possam garantir a segurança e os cuidados da criança, assim como o acompanhamento emocional da puérpera.

O tratamento da doença varia de acordo com o grau em que a mesma se encontra, pode ser feito pela associação entre psicoterapia cognitiva comportamental e uso de antidepressivo. Somente profissionais capacitados apresentarão os melhores meios para bons resultados.

Fonte: Entrevista fornecida pelo Dr Joel Rennó Jr à jornalista Leticia Oliveira do Click Bebê.

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