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                                                                                                                                                                             Constable. “The Hay-Wain” (detalhe). Fonte: wga.hu

 

Semana passada abordei o que, no meu entendimento, é o vício moderno do uso compulsivo das redes sociais, comparando-o inclusive ao uso das drogas tradicionais (ilícitas). Notei que, tal como no uso destas, aquele vício leva paulatinamente à destruição de relações e reputações, à síndrome de abstinência, a frases monossilábicas etc., bem como tem os seus traficantes.

Para não ficar só no diagnóstico, gostaria de apontar hoje aos interessados uma possível terapia.

1. Planeje uma viagem de exploração do entorno natural. Há muitas pousadas (ou então acampe) no Brasil perto de rios, montanhas, cachoeiras… Deixe de lado o smartphone, o tablet, o computador. Não acesse internet (quando voltar, pode ler o meu novo texto).

2. Vá tomar banho de cachoeira, ou perto de pedras por onde escorra a água de um rio. Sinta a torrente aquosa massagear as suas costas ou o seu peito. Porventura na mata ao lado podem aparecer aves: tucanos, periquitos, beija-flores, pica-paus, sabiás, gralhas-azuis… Não importa quais animais ou flores ou árvores você considere, agradeça a mãe natureza por essa dádiva.

3. Aprenda não apenas a ouvir os pássaros, mas também a escutá-los, ou seja, a diferenciar os seus diversos sons, os seus diversos cantos, e assim alegrar-se com essa sinfonia.

4. Deite-se numa rede. Belos são os tons de verde das árvores circundantes. E como o florido das árvores é variado!

5. As refeições e bebidas devem ser moderadas (esta frase parece até comercial de tv, mas não é; as aparências enganam).

6. Faça trilhas numa montanha, se possível acompanhado de um cachorro. Talvez haja um por perto pedindo carinho e companhia.

7. À noite, substitua o barzinho ou a “balada” (onde o traficante tradicional vai flertar e tentar negociar com você), pela observação, caso o tempo esteja bom, do céu estrelado. Note como a Via Láctea é sublime! Nós somos apenas um grãozinho de pó nesse infinito areal cósmico de planetas e estrelas. Como diz Olavo Bilac:

“Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto…

E conversamos toda a noite, enquanto
A via-láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: “Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?”

E eu vos direi: “Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas.” (Ouvir Estrelas)

8. Se chover, é bem-sonante a água jorrando do céu na copa das árvores. Se for dia, talvez um arco-íris seja desenhado no céu, presente dos mais belos que a natureza pode nos ofertar.

Essas são apenas algumas dicas que me ocorrem no momento. Cabe a cada um descobrir a natureza que lhe sorri, e corresponder.