Passadas as olimpíadas  (os jogos) do Rio 2016, uma imagem.

No estádio olímpico do Engenhão, lugar do atletismo, dois cachorros que observam pessoas do mundo inteiro que chegam para assistir aos espetáculos. Animais esses que entraram por acaso no espaço olímpico. Moram nas proximidades. São pretos, vira-latas, olhares graves e tristes, não deixam que as pessoas aproximem-se, desconfiados que são, talvez por já terem sofrido muitos chutes.

Um é macho, outra é fêmea. Confundem-se com a noite, pretos que são. Observam os abastados espectadores. Por um golpe de sorte do destino, não foram expulsos da área em frente ao estádio. Lá estão, observando a cada dia os que chegam do mundo inteiro para assistir ao atletismo, como, diga-se, ao homem mais rápido do mundo, Bolt!

Mas aqueles cachorros têm fome.

Por outra graça do destino, alguns espectadores compadecem-se e compram sanduíches para dar-lhes. Desconfiados, aceitam, devoram-nos na condição de esfomeados.

Noites seguidas espectadores caridosos praticam a compaixão alimentar com aqueles caninos, belos e trágicos em sua condição de animais de rua.

Os jogos chegavam ao fim. Quem lhes daria doravante atenção e comida?

Uma funcionária do estádio, na sua carioquice charmosa, disse que os dois bichinhos ganharam nome: a fêmea era “Olimpíada” e o macho era “2016”. Agradável imaginação carioca!

Que o destino, depois da “Olimpíada 2016”, proteja a Olimpíada e o 2016.