O título deste texto é uma óbvia alusão à série de filmes  “O planeta dos macacos”, cujo primeiro foi exibido em 1968, estrelado por Charlton Heston. O filme deu origem a uma série teletivisa homônima.

Me tornei fã hipnotizado de ambas as séries. No primeiro filme, que recomendo enfaticamente, astronautas fazem um pouso de emergência em um planeta semelhante à Terra. Era a Terra mesmo, no futuro! Logo descobrem que macacos falantes dominam e escravizam os seres humanos, que não falam.

Quando assistia à série televisiva, em tempos idos e vividos, uma mistura de estranheza e mal-estar me assaltava. Não entendia como aqueles macacos, sobretudo o Urco (o gorila xerife), podiam ser tão frios e por vezes cruéis com os humanos, engaiolando-os, prendendo-os, chicoteando-os, trancafiando-os em espécies de zoológico, fazendo com eles pesquisas científicas em laboratórios etc.

Os anos passam, tornamo-nos menos ingênuos, surge a idade da razão. Ao passar por esse processo compreendi tudo finalmente, tive clareza de consciência daqueles estranhos sentimentos. Claro: os macacos cruéis da série somos nós mesmos, e os humanos mudos fazem as vezes dos macacos. Uma interessante inversão de papéis para espelhar a nossa relação ditatorial com os animais e com a natureza em geral, vale dizer, a relação de posse, de domínio, coroada na coisificação do que é vivo, no extremo chegando à autodestruição do próprio humano. Afinal, o humano é o animal que também mata a si pelo suicídio. Que espécie estranha… Seríamos o diabo sobre a face da terra?, que, não contente em maltratar as outras espécies, levando algumas à extinção, maltrata a si mesmo?

Sou contra zoológicos e experiências inúteis e repetitivas com animais em laboratórios. Muitas das experiências farmacêuticas para a descoberta de novas drogas lícitas são repetitivas, já foram publicadas; por vezes não servem, pois cada humano reage de modo diferente a uma droga, que pode matar ou salvar.

Em zoológicos, os animais perdem a sua animalidade, como os humanos perderiam a sua humanidade caso estivessem em um (como muito bem mostra as séries planeta dos macacos). Triste um leão numa jaula, um passarinho numa gaiola. Ao contrário, como é belo um leão livre em solo africano, um passarinho voando.

Que se mostre e se diga tais coisas às crianças e jovens. A beleza da liberdade.

Tempos atrás li no jornal Gazeta do Povo, de Curitiba, uma reportagem que traduzia ingenuamente, por parte do jornalista, o seu especismo. Relatava a “fuga” de macacos de um zoológico de Cascavel. Os macacos teriam arrebentado os cadeados do espaço onde viviam e escaparam. O bichos são tidos na reportagem como autores de um “motim” e considerados como “foragidos”. Observe o leitor a linguagem e o preconceito que ela veicula, como se o delito fosse dos bichos, e não, do ponto de vista da natureza livre e bela, dos humanos que os prenderam.

Vale a pena ver e rever a filosófica série Planeta dos Macacos, para melhor compreendermos o que é o Planeta dos Humanos.