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A viagem é uma experiência de desenraizamento, na qual nos tornamos, sem querer, antropólogos. Estudamos o ser humano e melhor o conhecemos.

Comparamos culturas, os seus costumes, a sua culinária, o modo de vida de uma dada sociedade, o que nesta é implícita e explicitamente permitido etc.

Compreendemos melhor, por comparação, o país de nossa origem. Descobrimos, assim, que nem tudo no Brasil é uma merda, e nem tudo na Europa ou nos Estados Unidos é uma maravilha.

A viagem também nos descortina novas paisagens que entram na alma como mundos desconhecidos, boa parte dos quais é novidade e beleza. Nos sentimos perdidos naqueles cenários, de tal modo que ficam impressos em nossa sensibilidade, sendo carregados conosco como fotografias da alma, muitas das quais jamais desbotam.

Uma viagem também é a oportunidade para a tolerância, pois descobrimos que certas coisas graves no nossos país, são desagravadas no país de destino, e vice-versa. De modo que aprendemos a não atribuir valor absoluto a um determinado costume, a algo tido como bom, ou a algo tido como mau.

Por tudo isso, talvez Fernando Pessoa tivesse escrito: “Navegar é preciso, viver não é preciso”. Se tomarmos a navegação “por mares nunca dantes navegados” como uma das expressões mais antigas do desenraizamento humano, o sentido do verso é facilmente compreensível na sua dimensão social e antropológica.