De muitos é conhecida, em forma de dito espirituoso, a tentativa de diferenciar a psicologia felina da canina. Conta-se que quando alguém trata bem um desses companheiros, oferencedo-lhes boa comida, carinho, atenção, paciência, cama, água fresca, veterinário, enfim, o que há de melhor, as reações deles são diferentes e isto espelha a sua natureza íntima em face de tal tratamento privilegiado: de um lado o cachorro pensa: “eis aí um rei”; já o gatinho, ao contrário, pensa: “eu sou um rei”.

Com isso quer-se dizer que o cachorro não é egoísta, mas subserviente, confiável, venera quem tem poder e lhe serve bem (ou não); já o gatinho seria egoísta, não subserviente, não muito confiável, e se sente poderoso quando é bem servido (e despreza quem o trata mal).

Gatos têm uma psicologia extremanente sutil e refinada, como se nos entendessem, e nós não o entendêssemos suficientemente… Por causa disto foram objeto de ódio (inveja?) na Idade Média e associados a bruxas.

Já tive a oportunidade em outro texto de desconstruir esse preconceito, mostrando como gatinhos são confiáveis e carinhosos, de uma maneira diferente daquela que é a típica dos cachorros.

Em verdade, escolhemos nossos animais de companhia conforme o nosso próprio caráter. Personalidades independentes, filosóficas, que usam os dois ouvidos para ouvir, tendem a conviver de preferência com os gatos, pois compreendem melhor as suas sutilezas afetivas e os seus momentos de reserva; já personalidades que gostam da companhia contínua, de mandar, e apreciam a sociabilidade diária, tendem a conviver de preferência com os cachorros. Há os que convivem com ambos: ótimo.

O mais importante é que viver com esses e outros bichos é uma licão de amor à natureza em geral.